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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010


Não me queiras bem ou mal por uma pétala
por um gesto a mais ou um deslize
queira-me pelo todo
corola miolo haste folhas
cor espinhos pólen
perfume

raízes

(Líria Porto)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

http://picasaweb.google.com/katiaquirino/Divulgacao#

Divulgação

domingo, 31 de outubro de 2010

Gago Apaixonado

video

Trecho do Sarau Noel Rosa "Conversa de Botequim"
Atores: Leandro Resende e Kátia Quirino
Local: Teatro de Bolso
outubro de 2010
Centenário de Noel Rosa

domingo, 24 de outubro de 2010

TRANSEUNTE DO TEMPO

A poesia resiste ao tempo
A poesia não cabe no momento
é levada pelo tempo
semeada na primavera
plantada nesta terra

A poesia resiste ao tempo
Ela não acaba no último verso
quem nunca foi poeta?
rimando a vida com maestria
brincando de jogos florais?

A poesia resiste ao tempo
Só não resiste a fortes estiagens
abre pétala por pétala
da rosa vermelha do amor
espanta os males da saudade

A poesia resiste ao tempo
Ela só não vive sem o perdão
o poeta, errante transeunte do tempo
traduz sonhos em metáforas
e a vida pássaro veloz por nós

MACKING OF "ROCK É SÉRIO!"

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Macking Off Valeska Vall

Confira os bastidores!

Domingo a tarde

O jardim está ensopado de chuva, como são grossas as gotas, e o ar brilha. A corola contínua de face opaca. Os seixos escorrem, as vidraças da sala escorrem, as folhas pesam no ar, na lama treme em espinhos uma roseira de rosas empinadas. Então é que chove mais. O que me pergunto muito pensativa: em que terá dado a alegria do Concurso Hípico?
Clarice Lispector

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Toque de palavras

Tuas palavras sussurradas
entorpecem meus sentidos
diz-me coisas que me tocam
como o toque de suas mãos
que passeiam pelo meu corpo
em cada curva, cada desejo
cada pervertido palavrão


(my Whay)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Rock é Sério - Rock e palhaçada!!!!

Gente, vejam como eu sou uma palhaça! Valeska Vall, meu personagem clownesco, invade as ruas da cidade a caminho da festa!


http://www.youtube.com/watch?v=AxnrttwW9X0

30º JOGOS FLORAIS - GRÊMIO LITERÁRIO DE RESENDE

Jogos Florais de Resende – 2010
“Três décadas de Resistência Poética”

- Concurso de poesias realizado pelo G. L. R. e patrocinado pela Prefeitura Municipal de Resende, através da Fundação Casa da Cultura Macedo Miranda. Tendo como tema: os 30 anos deste certame poético.

- Podem participar concorrentes com até 2 (dois) trabalhos, de no máximo 30 (trinta) linhas cada, datilografados ou digitados em espaço 2 (dois). Cada trabalho deve ser enviado em 3 (três) vias cada e com pseudônimo. Enviar em anexo (envelope menor e lacrado) número de identidade, CPF, endereço, telefone(s) e assinatura.

- Remeter para: Caixa Postal 81785 – CEP: 27511-380 – Resende/RJ ou para o e-mail: tiagosignorini@gmail.com, até o dia 20 de outubro.

-Os trabalhos recebidos serão selecionados por uma comissão selecionada pela comissão organizadora do concurso, cujo resultado apresentado será irrecorrível.

- Ao aceitar este regulamento o(a) autor(a) autoriza no caso de publicação, do seu trabalho, cabendo ao organizador enviar 5 (cinco) exemplares a cada um deles.

- Todos os concorrentes receberão certificados de participação, aos finalistas será oferecida a Medalha Wilson Montemór, em homenagem a este saudoso poeta-trovador que completaria 90 anos no próximo mês de novembro. Serão ainda distribuídos troféus, medalhas e sorteio de brindes.

- A festa de encerramento será realizada em novembro (a data e local serão fixadas posteriormente), a ser comunicada antecipadamente a todos os concorrentes.

- Maiores informações pelo telefone (24) 3354-6927, de segunda a sexta-feira, das 9 ás 17h, ou pelo e-mail: tiagosignorini@gmail.com

terça-feira, 12 de outubro de 2010

NOSSA VIAGEM

O melhor lugar do mundo é aqui
Onde estou agora com você, com o mar
Com esta aura de conquista no ar

O melhor da vida é querer mudar
Escolher o caminho que se vai trilhar
Se é para a cachoeira ou para o mar
Escolhi você para estar

O melhor de mim é seu
Minha entrega sem querer nada
A boca lasciva e o desejo

Já passei por muitos lugares
O mundo é belo, verde e amarelo
Mas o melhor lugar que encontrei
Foi neste mar, eu, você e nosso estar.



(Com Licença Poética de Lineu e Valdecir)

domingo, 10 de outubro de 2010

Rock'n Roll e Palhaçada



"ROCK É SÉRIO" dia 16 de outubro, 16h
UM EVENTO (Des)ORGANIZADO POR PALHAÇOS
Música independente e gargalhadas liberadas
Em breve lançamento mundial do filme oficial de divulgação do evento.
Estrelado por Valleska Val
www.okatimburiba.blogspot.com

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Poema do Novo Amor

Se não me queres inteira,
deixe-me metade,
não quero chorar o fim de um amor
que ainda nem começou.
Mas se queres um pouco,
posso deixar-lhe louco,
louco de tanta paixão.
Só não me tenhas por ter,
pois o seu querer
não pode ser o meu quinhão.
É que carrego comigo um sentido,
muito sentir e minhas entranhas.
Desse calor que careces,
nem os deuses merecem,
senão por muita oração.
Ores no meu ventre que lhe entrego,
pois só Deus explica tanto tesão.
O que peço-lhe é a minha liberdade,
não suporto limitação.
Ao mesmo tempo lhe imploro: sejas meu,
não me deixes solta,
pois o amor é a melhor prisão.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O Menino


Menino, Menino!
Brinca de chover
Brinca de nascer
Vive de brincar

Descobre o mundo
Aprende a cantar
Ah, meu Menino!
Brinca de amar

Eu vi o Menino
Brincando de criar
Fazendo milagres
Em todo lugar

O Menino me chama:
Vem, vem brincar!
Tenha fé na vida
Que vai melhorar

Eu chamo o Menino
Para me acompanhar
Eu enxergo a vida
No seu doce olhar

(Para Pedro Jonnas Amorim)

MEUSUPERAMOR

Eu queria ser você
Estou tão entregue
Sensação de nunca mais morrer
Total falta de sentido, pulsante
Eu te superamo

Este estado de graça e desgraça
Meu maior dom, divinal
Porque amar é morrer de si
Amo-me mais que a você
Com uma força descomunal

Conhecer-te todo e viver-te
Não existe dor, é milagre do amor
Amar é não viver-se e ser imortal
Te superamo com doçura celestial

SUPERAMORMEU

Eu queria ser você
Este estado de graça e desgraça
Conhecer-te todo e viver-te

Estou tão entregue
Meu maior dom, divinal
Não existe dor, é milagre do amor

Sensação de nunca mais morrer
Porque amar é morrer de si
Amar é não viver-se e ser imortal

Total falta de sentido, pulsante
Amo-me mais que a você
Feitiço do corpo que agora escreve

Eu te superamo
Com uma força descomunal
Te superamo com doçura celestial

Rotina Virtual



Ninguém entra no meu Blog
Mas meu ORKUT está cheio...
Cheio de amigos desconhecidos

Não tenho tempo de acessar
TWITER, FACEBOOK, MYSPACE
São tantos e-mails para enviar

Temo qualquer ameaça virtual
Basta um Enter e me deletam
Só um Backup para me salvar

MSN, só entro se for Invisível
Calor humano não é acessível
Tb naum sei tc com gnt que eh :-(

Preciso instalar atualizações
Realizar a varredura integral
Fechar os programas e reiniciar

Meu Santo GOOGLE!
Será que consigo ainda hoje
Encerrar a conta e desligar?

Acesse meu Blog: kitquirino.blogspot.com
Aceito seu convite para o TWITER: @kitquirino
Adicione-me no MSN: kitquirino@hotmail.com

Meu Abandono



Eu hoje caminho solitária
Como se não fosse meu o caminhar
Eu hoje caminho a favor do vento
Para ver aonde o vento vai me levar
Lugares distantes tão cheios de estranhos
E eu tão cheia de tudo tão cheia tão cheia

Eu hoje não imagino o que seria de mim
Se não fosse minha liberta presença
Eu me conformo em ser tão sozinha
Isso dentro de mim é silêncio
Silêncio cheio cheio de multidão
E eu tão cheia de mim tão cheia tão cheia

Eu hoje vou dormir recolhida ao seu lado,
Absorver o calor do seu sono profundo
Para me lembrar que a noite, sem ele,
É meu maior e mais frio abandono

Abandono tão cheio de você
E eu tão cheia de lua tão cheia tão cheia

Menos Valia



“O estrangulamento fiscal e monetário da demanda interna”
Foi esta a genial frase dita em economês para explicar ao povo
O que no vulgar entende-se como desigual distribuição de renda
Mas o estrangulamento fiscal e monetário da demanda interna
Fez com que Lourival, chefe de família, saísse de casa com fome
Fez com que os filhos de Lourival ficassem em casa com fome
Fez com que Lourival sacasse uma arma do bolso para roubar
Fez com que ele levasse do açougue carne de vaca sem pagar
O estrangulamento fiscal e monetário da demanda interna
Fez com que Lourival parasse na delegacia como ladrão
E ao reagir, fosse jogado na cela da porca prisão
Foi confundido com o estripador temido
Ambos pretos, pobres e bandidos
Lourival foi estrangulado
Morreu à míngua
Sem valia

Com Calma



Carrego as horas na sacola
Levo os dias a passeio
Brinco com o tempo
E faço meu o momento

A Menor Guerra do Mundo


Era uma vez e não era uma vez...
Atenção na estória que vai começar

É a estória de uma pequenina guerra
Que dizem, nunca mais vai terminar

Não tem mocinho nem bandido
Não tem armas nem mesmo feridos

Mas tem uma grandiosa batalha
Travada em nome do Maior Amor

É a guerra de uma linda rosa branca
Contra os espinhos de sua própria flor

sábado, 1 de maio de 2010

Cordel da Contra Cultura



A cultura nacional
Anda muito devagar
Não sabe se vai festeira
Ou se fica no jabá
E a música popular brasileira
Só a história vai lembrar

Nossos críticos de arte
Deveriam ter manual
São tantos teoricismos
Que ninguém sabe explicar
Me perdoem o pessimismo
Mas o artista só quer criar

O teatro é visto apenas
Por pequena parte da população
É que ele perdeu audiência
Para os canais de televisão
O ator quer sua evidência
E o público quer outra diversão

O trabalhador da arte
É chamado vagabundo
E pouca gente sabe
Como ele cria o mundo
Sem nenhum salário base
E nem um pequeno fundo

O rádio há muito tempo
Era aquela curtição
Agora ele se tornou
Peça de decoração
Perdeu sua eficiência
Para o Domingão do Faustão

O circo foi fechado
E o menino ficou na rua
O sinal está vermelho
E começa sua agrura
Vira malabarista arteiro
Cospe fogo, engole desventura

O cinema brasileiro
Ganhou muita reputação
Colocou na grande tela
Muitas cenas de ação
Eu já digo sem cautela
Que isso é americanização

A pintura saiu da parede
E ganhou tri dimensão
Já não cabe numa sala
Pois virou instalação
Chamam arte contemporânea
Eu, liberdade de expressão

A cultura brasileira
É um grande bordão
Todo povo é artista
Nos pampas e no sertão
É um povo que samba
É um povo artesão
 
Para quem me entendeu
Eu fico muito feliz
Mas vou deixar ao leitor
A sua própria opinião
Quem junto vier compor
Da arte será cidadão

Kátia Quirino

EQUILÍBRIO DELICADO


Esta é uma reflexão filosófica.
Quem nunca sentiu uma angústia irremediável, aquele desconforto, um desespero de sei lá o quê?
Já passei por três tipos de desespero na vida. Sou deveras existencialista, e, como tal, preciso sofrer bastante para entender certas coisas. Vamos aos fatos.
Primeiro desespero: sentir-me sem eu mesma. Sabe aquela sensação de perder-se de si próprio? Isso aconteceu em certo momento do meu segundo casamento, principalmente quando meu ex marido me disse a seguinte frase no meio de uma discussão:
_ Nós dois somos um só, não existe eu e você.
Qualquer mulher poderia achar muito romântico, eu achei aquilo estranho. Então eu não sou eu, sou o meu somatório com outro que não eu mesma? Então ele também não é ele? Eu não gosto de carne mal passada e muito menos tenho pau...
Não consigo ver o amor dessa forma, exceto no momento do orgasmo. Momento este sublime, esplêndido e valioso. Individualidade vale para tudo, inclusive para o casamento. Egoísmo? Só quero meu eu de volta.
O segundo desespero é quando meu eu não quer mais ser ele próprio. Um dia desses, saí de casa para o trabalho e bati o carro recém comprado em suaves sessentas prestações na coluna do estacionamento. Amassou, arranhou e me deu um baita prejuízo. Chegando ao trabalho, bronca do chefe, pagamento atrasado e sem internet o dia inteiro. Volto para casa e pasme, cortaram minha luz. Ligo para a amiga e o celular está fora de área. Saio para comprar velas e encontro o chato do síndico que reclamou do barulho no meu apartamento. Chega!
Só faltou tocar o telefone e ser meu ex marido no outro lado da linha pedindo dinheiro emprestado. Isso aconteceu no outro dia de manhã, mas não vem ao caso.
O terceiro desespero é quando meu eu quer ser ele próprio de qualquer maneira e, em determinados momentos, não consegue ser. Sabe aquela sensação de perder o espírito quando um conhecido daquele tipo malandro de botequim te implora um voto para vereador e você diz que vai votar só para encerrar a conversa que já dura uma hora. De verdade, eu queria dizer que nunca votaria nele porque ele é um idiota que não sabe a diferença entre um político e um bêbado chato.
Depois de tanto desespero, resolvi me aproximar de Deus. Afinal, o desespero é viver a morte diariamente. E a fé em algo superior nos conforta a alma e nos faz crer que tudo tem um propósito maior.
Vivemos desesperados e nem nos damos conta disso. O eu sempre quer aquilo que não tem e quer ser aquilo que não é. Diariamente. O desespero é um sofrimento do espírito. Morrer sem cessar, morrer sem morrer e morrer a morte. Desse desespero que ninguém escapa, mesmo que não o saiba conscientemente. Isso fica incomodando, pois da morte todo mundo tem medo.
Preciso mesmo me aproximar de Deus e saber o que ele pretende para mim. Um terceiro marido? Outro emprego? Um bom psicólogo?
Se pudesse pedir, pediria um pouco menos de mim, um pouco mais de mim e... claro, muita fé. Fé para aguentar o rojão sem cair no desespero e para alcançar o equilíbrio entre os meus tantos eus.


Kátia Quirino
Crônicas Poéticas e Hipotéticas

Noel Rosa

Último Desejo
(Noel Rosa)

Nosso amor que eu não esqueço
E que teve seu começo
Numa festa de São João
Morre hoje sem foguete
Sem retrato e sem bilhete
Sem luar sem violão
Perto de você me calo
Tudo penso nada falo
Tenho medo de chorar
Nunca mais quero seu beijo
Mas meu ultimo desejo
Você não pode negar
Se alguma pessoa amiga
Pedir que você Ihe diga
Se você me quer ou não
Diga, que você me adora
Que você lamenta e chora
A nossa separaçao
E as pessoas que eu detesto
Diga sempre que eu não presto
Que o meu lar é o botequim
Que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida
Que você pagou prá mim

terça-feira, 20 de abril de 2010

NASCER É UM PARTO

Todo mundo nasce. Essa é a primeira similitude que une os seres humanos no mesmo ato inicial da vida. Mas quanto as diversas formas de nascer, aí cada um tem sua história. Parecidas ou não, felizes ou tristes.
Cuspido, empurrado, puxado, morto. Nascer é natural, mas é um ato estranho. Eu não me lembro do meu nascimento, mas deve ter me dado um medo danado... você lá, todo protegidinho dentro do seu mundinho barriga escurinho, e, de repente, você cai na mão de um ser gigante com uma máscara na cara, que te pega pelas pernas e te dá umas palmadinhas. Então você começa a ver luzes, ouvir vozes altas, sentir frio. Cortam-te pelo umbigo, te levam para longe daquela barriga e... acabou aquele mundinho tranqüilo.
Nascer é um parto...
Eu queria ter nascido de parto natural. Quem não quer sair do mundinho barriga escorregando! Nada mais divertido! Mando a contração, estouro a bolsa de placenta, e lá vou eu!
Mas, segundo relatos maternos, eu nasci de cesárea, praticamente enforcada pelo próprio cordão umbilical. Para piorar a situação, morei no mundinho barriga uma semana a mais, e a Doutora lá da Maternidade Santa Tereza me arrancou as pressas. Ela disse que eu era um bebê pós maturo, ainda bem que meu pai me deu outro nome.
Nasci enrolada no meu belo colar umbilical, mas tamanha vaidade me valeu uma cara toda roxa, inchada e deformada, a pele seca e descamada.
Minha tia até falou, sem muita convicção:
_ Que neném lindo!
Minha mãe foi bem sincera:
_ Será que a minha filha vai ser feia desse jeito, coitadinha...
Naquela época ainda não existia câmera digital, então não foram feitos registros fotográficos dessa minha desgraça primeira. Viva os anos 70!
Minha segunda desgraça foi no mesmo dia, ainda bem que não me lembro desse 5 de agosto, ô diazinho... Depois deste susto, me tiraram dos seios maternos direto para uma caixa aterrorizante. Toda transparente, fechada, quentinha, com uma luz chata nos meus olhinhos ainda cerrados.
Era uma incubadora.
“A incubadora é um equipamento eletromédico cuja finalidade é manter a vida de bebês prematuros ou pós maturos. Proporciona ao neonato um ambiente termicamente neutro – através do controle da temperatura e da umidade relativa do ar em níveis aceitáveis.

O clima criado no interior acarreta um rápido desenvolvimento do bebê com menor risco de contrair doenças. O uso das incubadoras nos berçários permite ao recém nascido de alto risco proteção térmica, isolamento e uma completa observação visual propiciando-lhe condições de termorregulação e atendimento às suas necessidades de calor.”
Chique, não é mesmo! Mas mecônio não é chique não, e provavelmente eu aspirei o meu...
Bem, com ou sem mecônio nos pulmões, lá fiquei, cheia de esparadrapo, dias e dias, doida pra voltar ao meu mundinho barriga, ou pelo menos para meu novo mundinho mamãe.
Realmente é de uma solidão extrema esta espera pelo ser amado, por aquela que te alimenta e te dá vida. Uma relação materna assim tão distante deve pirar a cuca de um bebê.
Eureca! Taí a origem de toda minha paranóia. Minha melhor amiga também ficou na incubadora, não é extraordinário! Temos uma ligação fetal, que nos une diante desta experiência trauma. Por isso ela é tão insegura, e eu tão carente.
Nascer é uma aventura! Depois disso tudo, podem me mandar pra qualquer outro mundo que eu encaro com a maior experiência!
Eu sei que vou nascer de novo, e sei que não vou poder escolher como, onde, nem quando. Na hora da morte, estarei aqui no meu mundinho vida, esperando outra incubadora neomortal. Talvez eu me enrole no meu belo colar de sementes, mas quem sabe tudo seja diferente.
Afinal, a esperança é sempre a última que morre, e assim parto, como quem nasceu de parto.


Kátia Quirino
Crônicas Poéticas e Hipotéticas

quarta-feira, 7 de abril de 2010

AMEI

Eu amei...
como amei
agora não sei

Eu amei
agora eu sei
como eu errei

Eu amei
me entreguei
como só eu sei

segunda-feira, 5 de abril de 2010

sexta-feira, 19 de março de 2010

Água Viva

É única a experiencia de ler Clarice Lispector, em especial seu livro "Água Viva". O livro, um "romance sem romance", onde a protagonista da história busca obssessivamente entender a solidão e o significado de sua existência, tem uma profundade de sentimentos que queimam como água viva. O mundo interior e exterior se confundem a tal ponto que ela cria um "mundo entre mundos", um lugar encantando e em constante mudança e contradição. O livro é poesia em prosa.

É incrível como Clarice consegue entrar no íntimo feminino e revelar este universo tão pessoal e tão universal. Senti-me contemplada e ao mesmo tempo incompleta, como se aquelas palavras também estivessem saindo de dentro de mim.

Resultado desta interação tão íntima foi o vídeo "Para te escrever eu antes me perfumo toda", ainda em construção. Ao surgir a idéia, logo pensei nas pessoas que poderiam fazer este trabalho, e convidei Laurens (videomaker) e Fátima Porto. Como se fosse induzida, escrevi o roteiro e selecionei os fragmentos do livro que servem de leitura para as cenas. Juntei uma parte aqui, outra ali, agrupei em temas e tudo isso resultou em cinco cenas que desenrolam-se consecutivamente no vídeo, que deve durar de cinco a sete minutos. A música foi escolhida entre tantas da obra de Chopin, mas caiu perfeitamente no clima intimista e lírico do vídeo. Tudo perfeito!

Confesso que nunca tinha feito isto antes na vida. E confesso que tive muita ansiedade e muita auto crítica, sentimentos que atrapalham o processo criativo, pois comecei a achar tudo ridículo e constrangedor. Por isso Fátima Porto... ela foi minha guia neste difícil processo de auto conhecimento e externalização de sentimentos e emoções que um ator necessariamente precisa saber fazer. "Não sou atriz, sou assistente social" (eu pensava), "o que os outros vão achar?", "eu sou um patinho feio querendo aparecer", enfim... A fase da censura, de viver o lado perverso da cultura de massa.

Mas Fátima e Laurens estavam ali, e com este apoio consegui chegar ao final da gravação. Achei por um instante que durou uma eternidade que não chegaria. Eu sabia que poderia ter feito tudo aquilo, e poderia ter feito até melhor, mas fiz o até melhor. E quando terminei estava toda suja de tinta como um bichinho louco e achei aquilo maravilhoso, poder sair do lugar comum e fazer coisas que não faria normalmente, como flertar com uma árvore e me jogar nas folhas secas.

Escrevo tudo isso para falar sobre coisas nada simples que Clarice fala no livro. Acredito que esta tenha sido a leitura mais viva que já fiz até hoje. Ler ser viver a palavra. Laissez passer. "A palavra é minha quarta dimensão", escreveu Clarice Lispector.

O que posso deixar de bom para quem me leu até aqui é a confirmação de que a vida é um mistério, mas nós podemos explorá-la em suas sem número possibilidades. Podemos ser outras vidas e outros tempos, podemos ser felizes ou tristes, podemos ser rasos ou profundos. Mas para poder escolher, precisamos de uma única coisa: auto conhecimento.

"Olha pra ti e te ama" (Clarice Lispector)

Obrigado Deus por mais uma prova da Sua existência!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Sarau Clarice Lispector



No dia 31 de março de 2010, a partir das 19h, no Plénário da Câmara Municipal de Resende, será realizada a apresentação do Sarau Clarice Lispector, uma das diversas atividades culturais promovidas pelo Projeto Câmara Cultural em comemoração ao mês da mulher. O evento é gratuito.

O Sarau conta com a presença das atrizes Dayse Marques, Fátima Porto, Jenifer Faulstich, Kátia Quirino, Paula Mirela, e ainda com a jornalista Célia Borges, que realizou uma bela pesquisa sobre Clarice e vai contar um pouco desta história.

O grupo não vai apenas recitar poesias. Clarice foi uma escritora versátil e na seleção dos textos buscamos mostrar sua obra em verso, prosa e contos. Difíceis escolhas, mas o expectador vai se deliciar com as histórias e com a intensidade e profundidade dos seus escritos. Não posso deixar de citar sua capacidade cômica expressa em diversos contos que falam sobre galinhas, baratas e rosas, sem deixar de ser revelador das diversas facetas da humanidade.

A novidade deste sarau é um vídeo com a participação de uma das atrizes, Kátia Quirino, feito em conjunto com o videomaker Laurens (Oka Timburibá) e da artista Fátima Porto (Porto das Artes). O vídeo, intitulado "Para te escrever eu antes me perfumo toda" é uma interpretação de fragmentos do livro Água Viva, de Clarice Lispector.
O evento conta com os seguintes realizadores: Porto das Artes, ONG Cultural Oito Deitado, Oka Timburibá e Câmara Cultural.

Boa oportunidade para divertir-se e aprender. Convide um(a) amigo(a) e compareça.

Kátia Quirino. Em 19 de março de 2010.