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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013



se a tua fome for feito a minha, de palavras e

(in)quietudes, podemos fazer um banquete.

Beber silêncios em goles profundos e

ruminar versos no dente.

ALGUÉM QUE TROCA O BOM DIA POR EU TE AMO

Alguém que troca todos os bons dias por eu te amo.
DESCONFIE.
Desconfie de muitas promessas e falta em cumpri-las.
Desconfie de silêncios desconfortantes.
Desconfie de pessoas que não sabem se vão ou se ficam.
Desconfie de quem lhe diz meias verdades.
Desconfie de olhares desviados.
Eu não desconfiei.
Troquei bons dias por nada.
Troquei promessas com a pessoa errada.
Troquei o silêncio por palavras usadas.
Troquei a minha verdade por uma mentira.
Troquei olhares profundos com a superficialidade.



quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O SÚBITO MOMENTO DO POEMA

um poema não é para se escrever
um poema é um evento, um acontecer
um poema é para se esfregar no corpo
para ser ejaculado
saboreado
um bom poema é como uma vontade aguda
de cagar
se não for escrito naquele momento,
vira vontade crônica.

ROTINA DE ZONA

visto-me da minha pele
e um pouco de perfume importado
para esperar um homem chegar
então passo meu batom vermelho
e ele chega feroz e suado
tiro os anéis um a um
empresto de afago minha voz
e falo a este homem palavras
de escalão vulgar
os lençóis já desalinhados
e o meu batom borrado
são testemunhas do meu pecado
ele vai embora embriagado
deixa-me alguns trocados
então visto-me da minha pele
e um pouco de perfume importado....






terça-feira, 24 de dezembro de 2013

MERGULHO NA PISCINA

vou me vestir com um parangolé de sonhos
para desfilar nesta Avenida Brasil
onde carros, motos e transeuntes se espremem

não posso mais acelerar os passos
nem correr à frente dos cavalos
cinza são os cobertores do dia

me joguei dentro do azul translúcido da água
onde meu corpo desengonçado dança
solto leve livre da inércia do seu titânio

VOO NOTÍVAGO

o vento assovia em meus ouvidos
nem triste nem alegre, me jogo no ar
em asas de anjos perdidos da glória
em telhados de casas abandonadas
rasante rasgante rangente retido
meu voo notívago me leva sem destino
com ares de quem nada teme
com ouro dos cabelos compridos
lá vou eu....

BOM DIA

hoje acordei
com dor nas costas
e poemas nos olhos
te fiz um assemblage
com ares de homenagem
e deixei no canto do quarto

hoje acordei
sob raízes nodosas do solo
deixei marcas dos meus pés
cravadas no céu como estrelas
reluzentes e cadentes

hoje acordei
com um nó na garganta
vontade de falar sacanagem
proferir impropérios, profanar santos
gritar minha inconformidade

hoje acordei
úmida de suor
com sede de beijos
calor entre as pernas
e te dei só um bom dia

hoje acordei
sem querer me levantar
acordei com dor nas costas
com sede de beijos
vontade de falar sacanagens








SOBRE TENDER E PÊSSEGOS

o acolhimento parental me levou em fluxo de sono profundo
acordei entre pomares, poemas e lambidas de cachorro
eu me finco neste chão de casa 
e ali me encontro com carinhos e sabores, afetos e lembranças
então me sento à mesa e deixo o tempo passar
com a calma dos ponteiros das horas

Kátia Kirino

NÃO ME QUEIRA

Eu sou mestra dos amores impossíveis, senhora das utopias do coração. Eu sou mãe dos prazeres improváveis, especialista em fuder relações. Eu sou tudo o que ninguém quer, tudo que não te quer bem. Eu tenho uma forma de morte, um jeito de leoa no cio. Eu desejo o mais baixo dos desejos, a mais intensa solidão. Eu sou a puta das putas, a mulher que não se leva ao altar. Eu sou braba, desengonçada, masculina. Então não me queira mais, não diga que me ama.

PARA VOCÊ

No meu desenho bobo
nossas mãos dadas
imagens de um lugar imaginário
cores que vibram no éter
coisas que definem eu e você. 

Temo aquilo que vem
queria saber se você cozinha
e se acorda de mal humor
temo ainda mais o que não vem. 

Me sinto uma garotinha
correndo de pantufas por entre as galáxias que nos une
mas quantos anos luz nos separam?

Quando digo que é um mistério
um código Morse, ideograma
é que nem eu sei o que posso decifrar
nem qual pergunta vai te desvendar.

Kátia Kirino

sábado, 21 de dezembro de 2013

ESQUECIMENTO

no labirinto da memória
flutuo meus pensamentos
oblíquo e súbito peso
suave e redondo desapego

escuro e silencioso passado
gritando coisas no pé do ouvido
do tipo que só falam os amantes
beirando a indigestão das verdades

em algum lugar me espera o esquecimento
frio e mesquinho, o esquecimento
longe, longe, longe
senil lembrança







quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

DIÁLOGO MATINAL ENTRE A POESIA E O POETA

- Me traz um café e um toque.
- Primeiro o toque. Agora o café. Ainda quero ouvir aquele seu CD de rock.
- !!!!!!
- Indo ao trabalho?
- Estou nua sob o lençol de algodão. Apenas o contato da pele com o pano já me causa um frisson. Trabalho só amanhã.
- Vai ler o meu livro?
- Sim. No caminho.
- No meio do caminho um L. Na porta da casa o patuá. No centro da cama o sofá. No desvario do caminho o mar. Sobre o sofá uma outra letra L. Ei onde foi?
- Fui comer um pão. Estava faminta de você.
- Mastigou-me direitinho?
- Quando tenho fome engulo!
- Corpo devorado. Alma insaciável.
- Sobra a sede que transborda do olhar. Queria somente um pouco de mar.
- Onde estou não há o mar. Há olhar. O que me transborda é o afeto que há. Vou precisar sair também.
- Você é abissal. Acho melhor ficarmos juntos mais um pouco.
- Você está abraçada a sonhos. Coma-os também.
- Vou trepar com eles. Quero o orgasmo onírico.
- Farei fotos da sua trepada. Farei posteres surreais.
- Serei o objeto que te fará ereto.
- Objeto direto!
- Sujeito determinado.

(SILÊNCIO)

- Tudo bem com você?
- O verso está com preguiça de sair.
- Tira o bicho de perto dele.
- Acho que o engoli.
- Rima endoscópica.
- Vou regurgitar.
- Fúria e som!
- Bravo e sem versão. Posso acariciá-lo. Fazer um dengo. Pedir baixinho para ele gritar em mim. Quem sabe deixar ele quieto remoendo as suas estrofes.
- Faça o que quiser. Afinal a poesia é você. Ele é apenas um poema que sente fome.
- Só quero cantarolar um blues e gritar um rock. Matar a fome do poeta. Se sou a poesia és o repertório.
- Fique nua da sua roupa. Melhor ou pior te visto com o meu corpo temporário.
- Pensas me encontrar em alguma caminhada noturna? Talvez eu esteja lá mesmo te cobrindo com o véu do meu sabor.
- Quanto há de real neste seu corpo e alma de esquina?
- O que sinto é um traço indefinido. Mas se procuras uma resposta direta estou com tesão. Um prazer de alma que saiu do corpo. Esquina sim. Tudo bem?
- Eu, poeta, traço rabiscos na sua coxa. Decifro o mar no caminho do estar à frente da sua tesão. Rumo para a sua alma. Daí em diante serei seu leitor além de seu amante.
- Eu, poesia, rasgo as suas roupas. Desvendo a sua pele. Deixo marcas do meu lábio na sua palavra não-escrita.

(UMA MÚSICA SUAVE E INTERPLANETÁRIA SE FAZ OUVIR)

- Ficou bonito o poema. O fim de tudo na distância do nada.
- Um diálogo, uma poesia só nossa. Início do nada e na distância do tudo.

(A MÚSICA SUAVE NUM CRESCENDO DÁ LUGAR A UM ROCK PAULEIRA)

Texto: Rogério Ramos Pimentel e Kátia Kirino


QUERIDO DIÁRIO

Eu vinha tão distraída de carro ouvindo o MP3 com a seleção de músicas para repertório que eu fiz com a Alessandra que me esqueci de parar em algum lugar para comer. Agora estou com fome e lembrando que quando selecionamos estas músicas, era para cantar em barezinhos de Resende. Pensamos no Teco para tocar violão, ele sempre nos deixava dar umas canjas quando saíamos para vê-lo cantar. Mas tantos anos se passaram, Teco morreu de infarto do miocárdio, Alessandra mudou-se para a Noruega e as músicas que ouço hoje são outras. Achei um mix de castanhas na geladeira e uma maça embrulhada no papel alumínio que me esqueci de comer no trabalho. Foi minha refeição.

Saí hoje para ir a uma consulta com a minha ginecologista. Preventivo perfeito! Mas ela me pediu mil exames pois já completei 38 anos, posso fazer minha primeira mamografia, exame de sangue, urina e tal, tudo para detectar o porque da minha TPM e da infecção urinária, que é recorrente desde que operei a coluna e tive rabdomiólise, o que prejudicou os meus rins. Fora isso, parece que estou com carência de vitaminas, por isso a TPM tão prostrante e inchada. Pedi a ela ainda o teste HIV, que faço todo ano. Mas eu perdi a consulta com o clínico geral, estou ouvindo uns barulhos chatos dentro da cabeça, um zumbido constante que me deixa louca. Agora só em janeiro, esperar passar natal e reveillon.

Estou assim, meio dodói mas minha cabeça está voando. Tem dez dias que terminei com meu namorado. Aliás, ele terminou comigo. Tínhamos planos de viver juntos, ter filhos e sermos felizes para sempre. Coisa de casal careta, coisa que nós não somos e nada disso deu certo. Foi uma sucessão de sexo, drogas, rock e amor. Fiquei despedaçada com a ideia do rompimento, mas juntei os caquinhos tão depressa que nem deixei vestígios da quebradeira. Mas ainda não sei o que fazer com meu coração, esse órgão taquicardíaco que está mais fibrilado que coração de enfartado. Os ventrículos batem tão rapidamente que eu me sufoco sempre que penso no que poderia ter feito para essa história dar certo. Me sufoco quando penso que me iludi estupidamente acreditando em um sentimento fora do contexto de uma pessoa. Acreditar que o amor transforma é coisa de gente carente. Como pude me afastar tanto do meu próprio amor? Agora é aquela coisa: beber muito vinho e ficar um tempo sozinha de afetos. Vinho porque comprovadamente faz bem ao coração. Sozinha porque estou preferindo a minha companhia.

Conheci uma pessoa virtualmente. Ele é um homem inteligente, artista, poeta, magnético. Conversamos longamente em versos. Dormimos juntos no astral por três noites seguidas. Ele me abraçou forte e disse que não ia me largar mais. Fiquei tão confortável naquele abraço que me esqueci de todos os problemas. Mas eu sou ansiosa e comecei a querer saber coisas do dia a dia e me atropelei no bate papo. Acho que ele não gostou muito de eu ter deixado nosso mundo poético para falar de coisas reais. Agora estou tentando me manter em estado de poesia para não perder esta conexão que eu gostei. Sabe, ele me fez sentir de novo o gosto do desconhecido. Mas nem dormir no astral ele quis mais, disse que vai dormir com o próprio umbigo. Eu vou ficar acordada, tenho receio de que essa relação virtual me deixe ainda mais solitária, e eu quero apenas solitude.









terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Da rejeição das redes sociais

Não, eu não vou me desnudar para uma rede
não vou me poluir de comentários
nem quero ser curtida, não sou cachaça.
Do meu social apenas o sobrenome
sou mais entre quatro paredes
meia luz de abajur





BUTOH SENTIMENTAL


eu vi meu mundo andando
corri para não sair do lugar
segurei forte na mão do tempo
e subi à tona do meu pensamento

tirei da boca saliva cortante
uni o vulgar ao elegante
cansei de tanto verbo e decidi parar
no silêncio que me fez canção

exitante deixei-me levar
por seus versos castos
que cortei em figurinhas
para emoldurar

e toda noite me fiz embalar
em sonhos e rabiscos surreais
li entrelinhas e estrelas até dormir
e acordar exausta de tanto tê-lo

querendo encontrar a substância do seu olhar
dancei estática um butoh sentimental
agora estou apaixonada até
pela melancolia no seu pé


sábado, 14 de dezembro de 2013

CONTRAMÃO

todos indo, eu vindo
gosto do meu caminho
tem curvas, tem morros e tem mar
enquanto a noite vaza, eu amanheço
quando todos cantam, eu Kahlo
e nem quero o seu consolo
prefiro meu espinho perfurando a pele
enquanto eu acaricio a ferida

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

PARA UM AMIGO

você, rei do seu mundo
ainda reina no breu absoluto
declarou guerra a um inimigo imaginário
feriu a si próprio
numa batalha solitária
mesmo que se dê por perdido
existe trégua, meu amigo

PAISAGEM DA JANELA

este paraíso que aguardamos
com oásis, coqueiros e céu azul
existe?

ou será que estamos fadados
a fazer do inferno
a paisagem da janela

e todo este peso, toda dor, todo calor
serão brindados em taças
de sangue embriagante

e toda essa nossa viagem
desvairada
vai se esvair em desamor

extremos do mesmo ser

você reside em extremos
que já habitei
labirintos da alma
fácil de se perder...

eu transpasso esse equilíbrio
frágil cordão que se desenrola
vivo neste limiar
entre a corda e o cortar

e se nos jogamos soltos no abismo
caímos feito nuvens a chover confetes
choramos juntos e lavamos nossas almas

gostar assim, livres para ser
tão livres que eu possa te perder
só desta forma eu posso ter você

 

COISAS QUE ME SÃO CARAS

quero uma pérola de Dubai
quero o mundo onírico de Fellini
precioso e sonolento
quero a melodia de Tom Waits
quero uma flor dos Jardins Suspensos
delirante e formoso
quero bigodes de gatos invisíveis
quero um Picasso na parede do quarto
cócegas e contemplação
quero toda a paz de Gandhy
quero a simplicidade de Budha
imensa e inebriante
quero uma lua do planetário
quero o bicho papão saindo do armário
cheia e noturna
quero um quilo de DNA humano
quero um diamante vermelho
passível e inatingível
quero todo Âmbar Gris do mundo
quero muita Rodopsina
fixante e iluminada
quero um suco de papoula
quero a ponta do iceberg
alucinante e distante
quero um beijo de cinema
quero um sol só pra mim
lascivo e quente
quero germinar como semente
quero tanto...

ESTRANHEZA

algo de tormento
lento
no seu canto
barulho de risadas
descompensadas
martírio de quem
reza pelo santo
não canonizado
sensação de morte
flerte com a loucura
radio sem sintonia
coisas amorfas, quadradas

tudo comprado e embrulhado
para presente

Incenso de lótus

o cheiro do incenso de massala
se mistura ao do cigarro
criando uma atmosfera enfumaçada

tenho um baita instinto olfativo
posso sentir o cheiro do perigo
vou tapar o nariz
cheirar flor

entre cheiros e gostos
fumaças e atmosferas
vou remoendo a carne
vou aparando arestas

vou me arrumando para a festa

LEVA LOGO ESSE COPO

Ficou o gosto da sua boca, 
O seu cheiro nos lençóis. 
Ficou a sombra sonora 
do seu riso,
O Abraço que me deu abrigo. 

Ficou a lembrança
fluída da sua presença.
Ficou a palavra não dita,
O gesto contido, 
O copo da Coca Cola
que a sua mãe
te deu.

POEMA DO NOVO AMOR

se me queres inteira
não me deixe metade
mas se quiser ficar junto
posso deixar-te louco
rouco de tanta paixão

só não me tenhas por ter
pois o seu desejo
é o meu quinhão
e saiba, levo comigo meu instinto
lhe entrego meu coração

desse calor que careço
nem os deuses merecem
senão por milagre e perdão
ore no meu ventre que lhe entrego
pois só Deus explica tanto tesão

apenas lhe peço minha liberdade
não suporto limitação
ao mesmo tempo lhe imploro: seja meu
nunca me deixe solta
pois o amor é a melhor prisão

Poesia reeditada para os Jogos Florais do GLR 2013. Nov/2010

INSPIRAÇÃO

Quantos versos preciso
para falar do meu amor?

Camões os conta
na língua dos anjos:
"sem amor eu nada seria"

O rei os canta
no ritmo do iê iê iê
"com palavras não sei dizer"

Quero ver o meu verso
arder em fogo brando
urgente como um abraço
inquieto como a chama

Quero ver o meu verso
crescer, palavra por palavra
desabrochar colorido
flor fruto do amor

Tentei inventar versos
para descrever este amor
descobri ser você minha obra prima
o meu próprio poema

19/09/13
Poesia selecionada para os Jogos Florais do GLR 2013

INSONE

hoje dormi de cobertor
a frente fria trouxe a chuva meu amor
à noite eu tive um sonho
que eu quero voltar a sonhar
preciso de um gole para pegar no sono
qualquer droga que me embriague
e apague
a luz
a solteirice tem cheiro
de cio no ar

além da solidão que ela exala...

sábado, 7 de dezembro de 2013

de como matar o amor

Para extrair alguém de dentro de si há que se arrancar o coração do peito. Morrer com o coração nas mãos para matar uma ausência que insiste em permanecer. Trocar os lençóis da cama, tirar as fotos do porta retrato. Para esquecer um grande amor há que ser mais amante de si mesmo e molhar a boca em outros beijos.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ai o amor

Agora, falando sério,
não existe poesia para o amor.

Ele vibra, ele emana,
ele rima, não com dor.

Se eu pensar que não amo
pode ser um engano.

Pois eu te digo, todo dia,
 eu te amo.

mas vai entender o amor?
vai querer viver de amor...
vai chorar
vai sorrir
vai
ai







soltei o verbo
não quero parar
mas escrever é uma coisa que tem vontade própria meu pai
vai saber?
eu ando gingando
e você?

do mais profundo id

queria escrever coisas profundas
que tocam quem lê
mas no meio do caminho
entre eu e a tecla
esqueci o que ia dizer

vida doce fel


a carne aflora
vasta flora
mata adentro
micro fauna
labirinto
que devora


florescer

flor de seda
cor de carmim
quero me enfeitar

vou pintar meu
coração de flores
para lhe esperar

colocarei
flores no cabelo
para impressionar você

pétalas no lençol
perfume de lírio branco
estou pronta


femme

faminta
insana
absurda

abusada
desbocada
fatale


coisas que inspiram

um café quentinho com canela
uma poesia do Leminski
um baseado para fumar

uma bala de hortelã
um cheiro de priprioca
uma dádiva de amor

amanhecer com o sol nos olhos
caminhar na areia da praia
dormir de conchinha!

sofrer de paixão acabada
tomar uma cerveja gelada
assistir um filme emocionante

acender um incenso
deixar os cabelos ao vento
dia de bruma branca

pé na bunda
madrugada
cachoeira

e a própria
inspiração






do amor sem identidade 2


Ele precisou de todos esses anos e não aprendeu a se amar.
Ela demorou o mesmo tempo e não conseguiu perdoar os próprios erros.
Se encontraram então um dia?
Sim.

                           até hoje estão juntos

I SEE DEAD PEOPLE

vejo pessoas  cheias de amarguras
duras rochas que se espatifam no chão
andando feito zumbis pelas ruas
encontro elas em todos os lugares
desde onde eu vim

pessoas secas
presas em arames
lágrimas secas
desespero absurdo
vejo pessoas doentes
sua dor e pesadelo
cantos fétidos
pranto

onde não é alegre nem fácil
onde cantam os vilões
onde a carne sangra
onde ninguém vai
de onde não se volta
onde habita a morte
e o desengano

estou alagada
um peixe fora d'água
que nada nada e morre na praia

não é FRIBOI

vaquinhas pastam
felizes no pasto
não sabem
simplesmente
o que lhes aguarda

um dia vaquinhas brancas
noutro dia vacas malhadas
umas leiteiras, outras... pasmem!

a carne não é FRIBOI


ESPERANÇA


uma esperança surge
com a respiração ofegante
com um soluço bêbado
com uma paixão inebriante

Kátia Kirino

terça-feira, 9 de abril de 2013

Cachoeira da Saudade

Despenca água na curva do rio
é pedra, ferradura, é morro

Desce mansa na planície serena
é terra, tenra, é serra

Queda d'água do céu azul celeste
é cachoeira, bela, é ela



do amor sem identidade


Ele precisou de todos esses anos para aprender a se dar valor.
Ela demorou o mesmo tempo para aprender a perdoar os próprios erros.
Se encontraram então um dia?
Ainda não.