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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

passeio pela desilusão

o passaporte para o paraíso
com oásis, coqueiros e céu azul
ainda existe?

ou será que estamos fadados
a fazer do inferno
a paisagem da nossa janela?

e toda guerra e toda morte
serão brindadas em taças
de sangue embriagante

e toda essa nossa viagem
desvairada, chamada vida,
vai se esvair em desamor...

DIÁRIO BORDÔ


eu venho das minhas profundezas
viajo à bordo dos meus anseios
com um destino não traçado
chego em um lugar onde o vento leva
tudo que fui sempre, para me reinventar
tingida de fim de tarde grená, quase bordô
vou-me embora e são longas as despedidas
deixo de querer ser sempre e volto para sempre ser
com saudades do que ainda vou viver


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

amar além do amor

sonhei com tais palavras
em tom de poesia
era uma voz muito dentro
que me dizia:

o que sobra de um amor
mal comprometido
além de lágrima e dor
é sabedoria para ser
o que antes não era amor


melancolia

(tudo que senti assistindo ao filme de Lars von Trier)


tenho forte indiferença em relação a tudo
não vou perder mais nada com o fim do mundo
nem a vida, não a encontro em lugar algum
em nenhum lugar eu sobrevivo, nenhum planeta

sim, agora a catástrofe é o sentido de existir
danço com o apocalipse uma valsa triste
somos amantes em sucessivos desencontros

alguns amores só se concretizam diante da morte....

não é o fim do mundo, nem dos tempos
é apenas um aviso que diz, em grandes letras:

"precisamos todos ser exterminados"





terça-feira, 20 de outubro de 2015

o pescador

o pescador não tem medo?
apenas essa pergunta ele faria:
seria ou não sereia?

mistério submerso em cantigas

s e r e i a   o u   n ã o   s e r i a ?

domingo, 18 de outubro de 2015

VIDA COMPLETA

pensando no que fui
não sei ser como era
apesar de não ser mais
àquela.....

tudo fica gravado
no interior do interior
por mais que tenha acabado
ainda brota uma flor

brota no vazio grotão d'alma
que hoje eu sou margarida
nem crisântemos, violetas ou tulipas
deixei as gérberas para os finados

finados sentimentos que não têm fim...





quinta-feira, 1 de outubro de 2015

vibe da bile

me emocionei ao saber:
o fígado processa emoções

comi muito açúcar
e quase fiquei biruta

tomei chá demais
o fígado se sentiu incapaz

amarguei com boldo
sentimento encontrou conforto

um copo d'água e uma sensação
a melancolia logo perde a razão

estava me desanimando no fim
mas aí comi semente de girassol

e tudo ficou no maior astral!




terça-feira, 15 de setembro de 2015

MEGERA

dona das verdades
cheia de voracidades
e caras metades
é sempre injustiçada
porém a mais abençoada
e paparicada das mulheres

ai, quanta conversa para boi dormir...

por baixo dessa saia hippie
se escondem suas mentiras
sua incapacidade de amar
o porque de tantas inimizades....








segunda-feira, 14 de setembro de 2015

terça-feira, 30 de junho de 2015

já não entendo nada, apenas ouço o som

tenho uma emoção embotada
uma causa desbotada
uma aparência esculachada

tenho em minhas mãos um caminho...

um tanto de passos e de passados
anos que passam disfarçados
tempos e ares futuros.... furdunços
poços fundos
                 posso ir embora
      porcos sujos

tenho uma emoção abotoada
uma casa destelhada
uma aparência embriagada

tenho o livro que me diz o caminho...


 

terça-feira, 10 de março de 2015

POESIA DESEMBESTADA

que o mundo todo exploda
no meu particular  infinito
nada mais sinto além de amar

na sombra úmida da pasmaceira
reverencio apenas o meu sofá
nada me tira da apatia de ali estar

mesmo que o povo saia às ruas
mesmo que o mundo venha acabar
eu com você só quero ficar.




CALA POESIA

sim, eu sei
tanto tempo sem...
tanto tempo sei

só não sabia
que felicidade cala poesia