aqui estou embriagada
avançando a madrugada
24 horas acordada
livre de mais uma roubada
dentro de uma canoa quebrada
loba da lua almada
olhos semicerrados no breu
nem catarata nem óculos escuros
ainda nem amanheceu
o tempo passa abstrato pelos dedos
slow motion de um piscar de olhos
cantando a mesma velha canção
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
SEJO-ME
a poeira do dia nos sapatos
a fumaça embrenhada no estofado do sofá
e a cabeça a girar em torno do sol
coração palpitante, pulso pulsante
não sei o tanto que vou caminhar
paetê vermelho enfeitando os cabelos
a tela em branco esperando outra cor
o cheiro do sândalo queimando
me leva a pensar no que sou
espelhos pela casa, amplitude
lente modo auto retrato
espelho que me traça destorcida
nada se parece com o que sou
quem se assemelha não se carece
nada que sou é o que sei
todo ser deveria rever-se
o que sou não tem pressa em saber-se
apenas ser, se for este o querer
a fumaça embrenhada no estofado do sofá
e a cabeça a girar em torno do sol
coração palpitante, pulso pulsante
não sei o tanto que vou caminhar
paetê vermelho enfeitando os cabelos
a tela em branco esperando outra cor
o cheiro do sândalo queimando
me leva a pensar no que sou
espelhos pela casa, amplitude
lente modo auto retrato
espelho que me traça destorcida
nada se parece com o que sou
quem se assemelha não se carece
nada que sou é o que sei
todo ser deveria rever-se
o que sou não tem pressa em saber-se
apenas ser, se for este o querer
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
ALGUÉM QUE TROCA O BOM DIA POR EU TE AMO
Alguém que troca todos os bons dias por eu te amo.
DESCONFIE.
Desconfie de muitas promessas e falta em cumpri-las.
Desconfie de silêncios desconfortantes.
Desconfie de pessoas que não sabem se vão ou se ficam.
Desconfie de quem lhe diz meias verdades.
Desconfie de olhares desviados.
Eu não desconfiei.
Troquei bons dias por nada.
Troquei promessas com a pessoa errada.
Troquei o silêncio por palavras usadas.
Troquei a minha verdade por uma mentira.
Troquei olhares profundos com a superficialidade.
DESCONFIE.
Desconfie de muitas promessas e falta em cumpri-las.
Desconfie de silêncios desconfortantes.
Desconfie de pessoas que não sabem se vão ou se ficam.
Desconfie de quem lhe diz meias verdades.
Desconfie de olhares desviados.
Eu não desconfiei.
Troquei bons dias por nada.
Troquei promessas com a pessoa errada.
Troquei o silêncio por palavras usadas.
Troquei a minha verdade por uma mentira.
Troquei olhares profundos com a superficialidade.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
O SÚBITO MOMENTO DO POEMA
um poema não é para se escrever
um poema é um evento, um acontecer
um poema é para se esfregar no corpo
para ser ejaculado
saboreado
um bom poema é como uma vontade aguda
de cagar
se não for escrito naquele momento,
vira vontade crônica.
um poema é um evento, um acontecer
um poema é para se esfregar no corpo
para ser ejaculado
saboreado
um bom poema é como uma vontade aguda
de cagar
se não for escrito naquele momento,
vira vontade crônica.
ROTINA DE ZONA
visto-me da minha pele
e um pouco de perfume importado
para esperar um homem chegar
então passo meu batom vermelho
e ele chega feroz e suado
tiro os anéis um a um
empresto de afago minha voz
e falo a este homem palavras
de escalão vulgar
os lençóis já desalinhados
e o meu batom borrado
são testemunhas do meu pecado
ele vai embora embriagado
deixa-me alguns trocados
então visto-me da minha pele
e um pouco de perfume importado....
e um pouco de perfume importado
para esperar um homem chegar
então passo meu batom vermelho
e ele chega feroz e suado
tiro os anéis um a um
empresto de afago minha voz
e falo a este homem palavras
de escalão vulgar
os lençóis já desalinhados
e o meu batom borrado
são testemunhas do meu pecado
ele vai embora embriagado
deixa-me alguns trocados
então visto-me da minha pele
e um pouco de perfume importado....
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
MERGULHO NA PISCINA
vou me vestir com um parangolé de sonhos
para desfilar nesta Avenida Brasil
onde carros, motos e transeuntes se espremem
não posso mais acelerar os passos
nem correr à frente dos cavalos
cinza são os cobertores do dia
me joguei dentro do azul translúcido da água
onde meu corpo desengonçado dança
solto leve livre da inércia do seu titânio
para desfilar nesta Avenida Brasil
onde carros, motos e transeuntes se espremem
não posso mais acelerar os passos
nem correr à frente dos cavalos
cinza são os cobertores do dia
me joguei dentro do azul translúcido da água
onde meu corpo desengonçado dança
solto leve livre da inércia do seu titânio
VOO NOTÍVAGO
o vento assovia em meus ouvidos
nem triste nem alegre, me jogo no ar
em asas de anjos perdidos da glória
em telhados de casas abandonadas
rasante rasgante rangente retido
meu voo notívago me leva sem destino
com ares de quem nada teme
com ouro dos cabelos compridos
lá vou eu....
nem triste nem alegre, me jogo no ar
em asas de anjos perdidos da glória
em telhados de casas abandonadas
rasante rasgante rangente retido
meu voo notívago me leva sem destino
com ares de quem nada teme
com ouro dos cabelos compridos
lá vou eu....
BOM DIA
hoje acordei
com dor nas costas
e poemas nos olhos
te fiz um assemblage
com ares de homenagem
e deixei no canto do quarto
hoje acordei
sob raízes nodosas do solo
deixei marcas dos meus pés
cravadas no céu como estrelas
reluzentes e cadentes
hoje acordei
com um nó na garganta
vontade de falar sacanagem
proferir impropérios, profanar santos
gritar minha inconformidade
hoje acordei
úmida de suor
com sede de beijos
calor entre as pernas
e te dei só um bom dia
hoje acordei
sem querer me levantar
acordei com dor nas costas
com sede de beijos
vontade de falar sacanagens
com dor nas costas
e poemas nos olhos
te fiz um assemblage
com ares de homenagem
e deixei no canto do quarto
hoje acordei
sob raízes nodosas do solo
deixei marcas dos meus pés
cravadas no céu como estrelas
reluzentes e cadentes
hoje acordei
com um nó na garganta
vontade de falar sacanagem
proferir impropérios, profanar santos
gritar minha inconformidade
hoje acordei
úmida de suor
com sede de beijos
calor entre as pernas
e te dei só um bom dia
hoje acordei
sem querer me levantar
acordei com dor nas costas
com sede de beijos
vontade de falar sacanagens
SOBRE TENDER E PÊSSEGOS
o acolhimento parental me levou em fluxo de sono profundo
acordei entre pomares, poemas e lambidas de cachorro
eu me finco neste chão de casa
e ali me encontro com carinhos e sabores, afetos e lembranças
então me sento à mesa e deixo o tempo passar
com a calma dos ponteiros das horas
Kátia Kirino
acordei entre pomares, poemas e lambidas de cachorro
eu me finco neste chão de casa
e ali me encontro com carinhos e sabores, afetos e lembranças
então me sento à mesa e deixo o tempo passar
com a calma dos ponteiros das horas
Kátia Kirino
NÃO ME QUEIRA
Eu sou mestra dos amores impossíveis, senhora das utopias do coração. Eu sou mãe dos prazeres improváveis, especialista em fuder relações. Eu sou tudo o que ninguém quer, tudo que não te quer bem. Eu tenho uma forma de morte, um jeito de leoa no cio. Eu desejo o mais baixo dos desejos, a mais intensa solidão. Eu sou a puta das putas, a mulher que não se leva ao altar. Eu sou braba, desengonçada, masculina. Então não me queira mais, não diga que me ama.
PARA VOCÊ
No meu desenho bobo
nossas mãos dadas
imagens de um lugar imaginário
cores que vibram no éter
coisas que definem eu e você.
Temo aquilo que vem
queria saber se você cozinha
e se acorda de mal humor
temo ainda mais o que não vem.
Me sinto uma garotinha
correndo de pantufas por entre as galáxias que nos une
mas quantos anos luz nos separam?
Quando digo que é um mistério
um código Morse, ideograma
é que nem eu sei o que posso decifrar
nem qual pergunta vai te desvendar.
Kátia Kirino
nossas mãos dadas
imagens de um lugar imaginário
cores que vibram no éter
coisas que definem eu e você.
Temo aquilo que vem
queria saber se você cozinha
e se acorda de mal humor
temo ainda mais o que não vem.
Me sinto uma garotinha
correndo de pantufas por entre as galáxias que nos une
mas quantos anos luz nos separam?
Quando digo que é um mistério
um código Morse, ideograma
é que nem eu sei o que posso decifrar
nem qual pergunta vai te desvendar.
Kátia Kirino
sábado, 21 de dezembro de 2013
ESQUECIMENTO
no labirinto da memória
flutuo meus pensamentos
oblíquo e súbito peso
suave e redondo desapego
escuro e silencioso passado
gritando coisas no pé do ouvido
do tipo que só falam os amantes
beirando a indigestão das verdades
em algum lugar me espera o esquecimento
frio e mesquinho, o esquecimento
longe, longe, longe
senil lembrança
flutuo meus pensamentos
oblíquo e súbito peso
suave e redondo desapego
escuro e silencioso passado
gritando coisas no pé do ouvido
do tipo que só falam os amantes
beirando a indigestão das verdades
em algum lugar me espera o esquecimento
frio e mesquinho, o esquecimento
longe, longe, longe
senil lembrança
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
DIÁLOGO MATINAL ENTRE A POESIA E O POETA
- Me traz um café e um toque.
- Primeiro o toque. Agora o café. Ainda quero ouvir aquele seu CD de rock.
- !!!!!!
- Indo ao trabalho?
- Estou nua sob o lençol de algodão. Apenas o contato da pele com o pano já me causa um frisson. Trabalho só amanhã.
- Vai ler o meu livro?
- Sim. No caminho.
- No meio do caminho um L. Na porta da casa o patuá. No centro da cama o sofá. No desvario do caminho o mar. Sobre o sofá uma outra letra L. Ei onde foi?
- Fui comer um pão. Estava faminta de você.
- Mastigou-me direitinho?
- Quando tenho fome engulo!
- Corpo devorado. Alma insaciável.
- Sobra a sede que transborda do olhar. Queria somente um pouco de mar.
- Onde estou não há o mar. Há olhar. O que me transborda é o afeto que há. Vou precisar sair também.
- Você é abissal. Acho melhor ficarmos juntos mais um pouco.
- Você está abraçada a sonhos. Coma-os também.
- Vou trepar com eles. Quero o orgasmo onírico.
- Farei fotos da sua trepada. Farei posteres surreais.
- Serei o objeto que te fará ereto.
- Objeto direto!
- Sujeito determinado.
(SILÊNCIO)
- Tudo bem com você?
- O verso está com preguiça de sair.
- Tira o bicho de perto dele.
- Acho que o engoli.
- Rima endoscópica.
- Vou regurgitar.
- Fúria e som!
- Bravo e sem versão. Posso acariciá-lo. Fazer um dengo. Pedir baixinho para ele gritar em mim. Quem sabe deixar ele quieto remoendo as suas estrofes.
- Faça o que quiser. Afinal a poesia é você. Ele é apenas um poema que sente fome.
- Só quero cantarolar um blues e gritar um rock. Matar a fome do poeta. Se sou a poesia és o repertório.
- Fique nua da sua roupa. Melhor ou pior te visto com o meu corpo temporário.
- Pensas me encontrar em alguma caminhada noturna? Talvez eu esteja lá mesmo te cobrindo com o véu do meu sabor.
- Quanto há de real neste seu corpo e alma de esquina?
- O que sinto é um traço indefinido. Mas se procuras uma resposta direta estou com tesão. Um prazer de alma que saiu do corpo. Esquina sim. Tudo bem?
- Eu, poeta, traço rabiscos na sua coxa. Decifro o mar no caminho do estar à frente da sua tesão. Rumo para a sua alma. Daí em diante serei seu leitor além de seu amante.
- Eu, poesia, rasgo as suas roupas. Desvendo a sua pele. Deixo marcas do meu lábio na sua palavra não-escrita.
(UMA MÚSICA SUAVE E INTERPLANETÁRIA SE FAZ OUVIR)
- Ficou bonito o poema. O fim de tudo na distância do nada.
- Um diálogo, uma poesia só nossa. Início do nada e na distância do tudo.
(A MÚSICA SUAVE NUM CRESCENDO DÁ LUGAR A UM ROCK PAULEIRA)
QUERIDO DIÁRIO
Eu vinha tão distraída de carro ouvindo o MP3 com a seleção de músicas para repertório que eu fiz com a Alessandra que me esqueci de parar em algum lugar para comer. Agora estou com fome e lembrando que quando selecionamos estas músicas, era para cantar em barezinhos de Resende. Pensamos no Teco para tocar violão, ele sempre nos deixava dar umas canjas quando saíamos para vê-lo cantar. Mas tantos anos se passaram, Teco morreu de infarto do miocárdio, Alessandra mudou-se para a Noruega e as músicas que ouço hoje são outras. Achei um mix de castanhas na geladeira e uma maça embrulhada no papel alumínio que me esqueci de comer no trabalho. Foi minha refeição.
Saí hoje para ir a uma consulta com a minha ginecologista. Preventivo perfeito! Mas ela me pediu mil exames pois já completei 38 anos, posso fazer minha primeira mamografia, exame de sangue, urina e tal, tudo para detectar o porque da minha TPM e da infecção urinária, que é recorrente desde que operei a coluna e tive rabdomiólise, o que prejudicou os meus rins. Fora isso, parece que estou com carência de vitaminas, por isso a TPM tão prostrante e inchada. Pedi a ela ainda o teste HIV, que faço todo ano. Mas eu perdi a consulta com o clínico geral, estou ouvindo uns barulhos chatos dentro da cabeça, um zumbido constante que me deixa louca. Agora só em janeiro, esperar passar natal e reveillon.
Estou assim, meio dodói mas minha cabeça está voando. Tem dez dias que terminei com meu namorado. Aliás, ele terminou comigo. Tínhamos planos de viver juntos, ter filhos e sermos felizes para sempre. Coisa de casal careta, coisa que nós não somos e nada disso deu certo. Foi uma sucessão de sexo, drogas, rock e amor. Fiquei despedaçada com a ideia do rompimento, mas juntei os caquinhos tão depressa que nem deixei vestígios da quebradeira. Mas ainda não sei o que fazer com meu coração, esse órgão taquicardíaco que está mais fibrilado que coração de enfartado. Os ventrículos batem tão rapidamente que eu me sufoco sempre que penso no que poderia ter feito para essa história dar certo. Me sufoco quando penso que me iludi estupidamente acreditando em um sentimento fora do contexto de uma pessoa. Acreditar que o amor transforma é coisa de gente carente. Como pude me afastar tanto do meu próprio amor? Agora é aquela coisa: beber muito vinho e ficar um tempo sozinha de afetos. Vinho porque comprovadamente faz bem ao coração. Sozinha porque estou preferindo a minha companhia.
Conheci uma pessoa virtualmente. Ele é um homem inteligente, artista, poeta, magnético. Conversamos longamente em versos. Dormimos juntos no astral por três noites seguidas. Ele me abraçou forte e disse que não ia me largar mais. Fiquei tão confortável naquele abraço que me esqueci de todos os problemas. Mas eu sou ansiosa e comecei a querer saber coisas do dia a dia e me atropelei no bate papo. Acho que ele não gostou muito de eu ter deixado nosso mundo poético para falar de coisas reais. Agora estou tentando me manter em estado de poesia para não perder esta conexão que eu gostei. Sabe, ele me fez sentir de novo o gosto do desconhecido. Mas nem dormir no astral ele quis mais, disse que vai dormir com o próprio umbigo. Eu vou ficar acordada, tenho receio de que essa relação virtual me deixe ainda mais solitária, e eu quero apenas solitude.
Saí hoje para ir a uma consulta com a minha ginecologista. Preventivo perfeito! Mas ela me pediu mil exames pois já completei 38 anos, posso fazer minha primeira mamografia, exame de sangue, urina e tal, tudo para detectar o porque da minha TPM e da infecção urinária, que é recorrente desde que operei a coluna e tive rabdomiólise, o que prejudicou os meus rins. Fora isso, parece que estou com carência de vitaminas, por isso a TPM tão prostrante e inchada. Pedi a ela ainda o teste HIV, que faço todo ano. Mas eu perdi a consulta com o clínico geral, estou ouvindo uns barulhos chatos dentro da cabeça, um zumbido constante que me deixa louca. Agora só em janeiro, esperar passar natal e reveillon.
Estou assim, meio dodói mas minha cabeça está voando. Tem dez dias que terminei com meu namorado. Aliás, ele terminou comigo. Tínhamos planos de viver juntos, ter filhos e sermos felizes para sempre. Coisa de casal careta, coisa que nós não somos e nada disso deu certo. Foi uma sucessão de sexo, drogas, rock e amor. Fiquei despedaçada com a ideia do rompimento, mas juntei os caquinhos tão depressa que nem deixei vestígios da quebradeira. Mas ainda não sei o que fazer com meu coração, esse órgão taquicardíaco que está mais fibrilado que coração de enfartado. Os ventrículos batem tão rapidamente que eu me sufoco sempre que penso no que poderia ter feito para essa história dar certo. Me sufoco quando penso que me iludi estupidamente acreditando em um sentimento fora do contexto de uma pessoa. Acreditar que o amor transforma é coisa de gente carente. Como pude me afastar tanto do meu próprio amor? Agora é aquela coisa: beber muito vinho e ficar um tempo sozinha de afetos. Vinho porque comprovadamente faz bem ao coração. Sozinha porque estou preferindo a minha companhia.
Conheci uma pessoa virtualmente. Ele é um homem inteligente, artista, poeta, magnético. Conversamos longamente em versos. Dormimos juntos no astral por três noites seguidas. Ele me abraçou forte e disse que não ia me largar mais. Fiquei tão confortável naquele abraço que me esqueci de todos os problemas. Mas eu sou ansiosa e comecei a querer saber coisas do dia a dia e me atropelei no bate papo. Acho que ele não gostou muito de eu ter deixado nosso mundo poético para falar de coisas reais. Agora estou tentando me manter em estado de poesia para não perder esta conexão que eu gostei. Sabe, ele me fez sentir de novo o gosto do desconhecido. Mas nem dormir no astral ele quis mais, disse que vai dormir com o próprio umbigo. Eu vou ficar acordada, tenho receio de que essa relação virtual me deixe ainda mais solitária, e eu quero apenas solitude.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Da rejeição das redes sociais
Não, eu não vou me desnudar para uma rede
não vou me poluir de comentários
nem quero ser curtida, não sou cachaça.
Do meu social apenas o sobrenome
sou mais entre quatro paredes
meia luz de abajur
não vou me poluir de comentários
nem quero ser curtida, não sou cachaça.
Do meu social apenas o sobrenome
sou mais entre quatro paredes
meia luz de abajur
BUTOH SENTIMENTAL
eu vi meu mundo andando
corri para não sair do lugar
segurei forte na mão do tempo
e subi à tona do meu pensamento
tirei da boca saliva cortante
uni o vulgar ao elegante
cansei de tanto verbo e decidi parar
no silêncio que me fez canção
exitante deixei-me levar
por seus versos castos
que cortei em figurinhas
para emoldurar
e toda noite me fiz embalar
em sonhos e rabiscos surreais
li entrelinhas e estrelas até dormir
e acordar exausta de tanto tê-lo
querendo encontrar a substância do seu olhar
dancei estática um butoh sentimental
agora estou apaixonada até
pela melancolia no seu pé
sábado, 14 de dezembro de 2013
CONTRAMÃO
todos indo, eu vindo
gosto do meu caminho
tem curvas, tem morros e tem mar
enquanto a noite vaza, eu amanheço
quando todos cantam, eu Kahlo
e nem quero o seu consolo
prefiro meu espinho perfurando a pele
enquanto eu acaricio a ferida
gosto do meu caminho
tem curvas, tem morros e tem mar
enquanto a noite vaza, eu amanheço
quando todos cantam, eu Kahlo
e nem quero o seu consolo
prefiro meu espinho perfurando a pele
enquanto eu acaricio a ferida
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
PARA UM AMIGO
você, rei do seu mundo
ainda reina no breu absoluto
declarou guerra a um inimigo imaginário
feriu a si próprio
numa batalha solitária
mesmo que se dê por perdido
existe trégua, meu amigo
ainda reina no breu absoluto
declarou guerra a um inimigo imaginário
feriu a si próprio
numa batalha solitária
mesmo que se dê por perdido
existe trégua, meu amigo
PAISAGEM DA JANELA
este paraíso que aguardamos
com oásis, coqueiros e céu azul
existe?
ou será que estamos fadados
a fazer do inferno
a paisagem da janela
e todo este peso, toda dor, todo calor
serão brindados em taças
de sangue embriagante
e toda essa nossa viagem
desvairada
vai se esvair em desamor
com oásis, coqueiros e céu azul
existe?
ou será que estamos fadados
a fazer do inferno
a paisagem da janela
e todo este peso, toda dor, todo calor
serão brindados em taças
de sangue embriagante
e toda essa nossa viagem
desvairada
vai se esvair em desamor
extremos do mesmo ser
você reside em extremos
que já habitei
labirintos da alma
fácil de se perder...
eu transpasso esse equilíbrio
frágil cordão que se desenrola
vivo neste limiar
entre a corda e o cortar
e se nos jogamos soltos no abismo
caímos feito nuvens a chover confetes
choramos juntos e lavamos nossas almas
gostar assim, livres para ser
tão livres que eu possa te perder
só desta forma eu posso ter você
COISAS QUE ME SÃO CARAS
quero uma pérola de Dubai
quero o mundo onírico de Fellini
precioso e sonolento
quero a melodia de Tom Waits
quero uma flor dos Jardins Suspensos
delirante e formoso
quero bigodes de gatos invisíveis
quero um Picasso na parede do quarto
cócegas e contemplação
quero toda a paz de Gandhy
quero a simplicidade de Budha
imensa e inebriante
quero uma lua do planetário
quero o bicho papão saindo do armário
cheia e noturna
quero um quilo de DNA humano
quero um diamante vermelho
passível e inatingível
quero todo Âmbar Gris do mundo
quero muita Rodopsina
fixante e iluminada
quero um suco de papoula
quero a ponta do iceberg
alucinante e distante
quero um beijo de cinema
quero um sol só pra mim
lascivo e quente
quero germinar como semente
quero tanto...
quero o mundo onírico de Fellini
precioso e sonolento
quero a melodia de Tom Waits
quero uma flor dos Jardins Suspensos
delirante e formoso
quero bigodes de gatos invisíveis
quero um Picasso na parede do quarto
cócegas e contemplação
quero toda a paz de Gandhy
quero a simplicidade de Budha
imensa e inebriante
quero uma lua do planetário
quero o bicho papão saindo do armário
cheia e noturna
quero um quilo de DNA humano
quero um diamante vermelho
passível e inatingível
quero todo Âmbar Gris do mundo
quero muita Rodopsina
fixante e iluminada
quero um suco de papoula
quero a ponta do iceberg
alucinante e distante
quero um beijo de cinema
quero um sol só pra mim
lascivo e quente
quero germinar como semente
quero tanto...
ESTRANHEZA
algo de tormento
lento
no seu canto
barulho de risadas
descompensadas
martírio de quem
reza pelo santo
não canonizado
sensação de morte
flerte com a loucura
radio sem sintonia
coisas amorfas, quadradas
tudo comprado e embrulhado
para presente
lento
no seu canto
barulho de risadas
descompensadas
martírio de quem
reza pelo santo
não canonizado
sensação de morte
flerte com a loucura
radio sem sintonia
coisas amorfas, quadradas
tudo comprado e embrulhado
para presente
Incenso de lótus
o cheiro do incenso de massala
se mistura ao do cigarro
criando uma atmosfera enfumaçada
tenho um baita instinto olfativo
posso sentir o cheiro do perigo
vou tapar o nariz
cheirar flor
entre cheiros e gostos
fumaças e atmosferas
vou remoendo a carne
vou aparando arestas
vou me arrumando para a festa
se mistura ao do cigarro
criando uma atmosfera enfumaçada
tenho um baita instinto olfativo
posso sentir o cheiro do perigo
vou tapar o nariz
cheirar flor
entre cheiros e gostos
fumaças e atmosferas
vou remoendo a carne
vou aparando arestas
vou me arrumando para a festa
LEVA LOGO ESSE COPO
Ficou o gosto da sua boca,
O seu cheiro nos lençóis.
Ficou a sombra sonora
do seu riso,
O Abraço que me deu abrigo.
Ficou a lembrança
fluída da sua presença.
Ficou a palavra não dita,
O gesto contido,
O copo da Coca Cola
que a sua mãe
te deu.
O seu cheiro nos lençóis.
Ficou a sombra sonora
do seu riso,
O Abraço que me deu abrigo.
Ficou a lembrança
fluída da sua presença.
Ficou a palavra não dita,
O gesto contido,
O copo da Coca Cola
que a sua mãe
te deu.
POEMA DO NOVO AMOR
se me queres inteira
não me deixe metade
mas se quiser ficar junto
posso deixar-te louco
rouco de tanta paixão
só não me tenhas por ter
pois o seu desejo
é o meu quinhão
e saiba, levo comigo meu instinto
lhe entrego meu coração
desse calor que careço
nem os deuses merecem
senão por milagre e perdão
ore no meu ventre que lhe entrego
pois só Deus explica tanto tesão
apenas lhe peço minha liberdade
não suporto limitação
ao mesmo tempo lhe imploro: seja meu
nunca me deixe solta
pois o amor é a melhor prisão
Poesia reeditada para os Jogos Florais do GLR 2013. Nov/2010
não me deixe metade
mas se quiser ficar junto
posso deixar-te louco
rouco de tanta paixão
só não me tenhas por ter
pois o seu desejo
é o meu quinhão
e saiba, levo comigo meu instinto
lhe entrego meu coração
desse calor que careço
nem os deuses merecem
senão por milagre e perdão
ore no meu ventre que lhe entrego
pois só Deus explica tanto tesão
apenas lhe peço minha liberdade
não suporto limitação
ao mesmo tempo lhe imploro: seja meu
nunca me deixe solta
pois o amor é a melhor prisão
Poesia reeditada para os Jogos Florais do GLR 2013. Nov/2010
INSPIRAÇÃO
Quantos versos preciso
para falar do meu amor?
Camões os conta
na língua dos anjos:
"sem amor eu nada seria"
O rei os canta
no ritmo do iê iê iê
"com palavras não sei dizer"
Quero ver o meu verso
arder em fogo brando
urgente como um abraço
inquieto como a chama
Quero ver o meu verso
crescer, palavra por palavra
desabrochar colorido
flor fruto do amor
Tentei inventar versos
para descrever este amor
descobri ser você minha obra prima
o meu próprio poema
19/09/13
Poesia selecionada para os Jogos Florais do GLR 2013
para falar do meu amor?
Camões os conta
na língua dos anjos:
"sem amor eu nada seria"
O rei os canta
no ritmo do iê iê iê
"com palavras não sei dizer"
Quero ver o meu verso
arder em fogo brando
urgente como um abraço
inquieto como a chama
Quero ver o meu verso
crescer, palavra por palavra
desabrochar colorido
flor fruto do amor
Tentei inventar versos
para descrever este amor
descobri ser você minha obra prima
o meu próprio poema
19/09/13
Poesia selecionada para os Jogos Florais do GLR 2013
INSONE
hoje dormi de cobertor
a frente fria trouxe a chuva meu amor
à noite eu tive um sonho
que eu quero voltar a sonhar
preciso de um gole para pegar no sono
qualquer droga que me embriague
e apague
a luz
a frente fria trouxe a chuva meu amor
à noite eu tive um sonho
que eu quero voltar a sonhar
preciso de um gole para pegar no sono
qualquer droga que me embriague
e apague
a luz
sábado, 7 de dezembro de 2013
de como matar o amor
Para extrair alguém de dentro de si há que se arrancar o coração do peito. Morrer com o coração nas mãos para matar uma ausência que insiste em permanecer. Trocar os lençóis da cama, tirar as fotos do porta retrato. Para esquecer um grande amor há que ser mais amante de si mesmo e molhar a boca em outros beijos.
domingo, 17 de novembro de 2013
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
ai o amor
Agora, falando sério,
não existe poesia para o amor.
Ele vibra, ele emana,
ele rima, não com dor.
Se eu pensar que não amo
pode ser um engano.
Pois eu te digo, todo dia,
eu te amo.
mas vai entender o amor?
vai querer viver de amor...
vai chorar
vai sorrir
vai
ai
não existe poesia para o amor.
Ele vibra, ele emana,
ele rima, não com dor.
Se eu pensar que não amo
pode ser um engano.
Pois eu te digo, todo dia,
eu te amo.
mas vai entender o amor?
vai querer viver de amor...
vai chorar
vai sorrir
vai
ai
do mais profundo id
queria escrever coisas profundas
que tocam quem lê
mas no meio do caminho
entre eu e a tecla
esqueci o que ia dizer
que tocam quem lê
mas no meio do caminho
entre eu e a tecla
esqueci o que ia dizer
florescer
flor de seda
cor de carmim
quero me enfeitar
vou pintar meu
coração de flores
para lhe esperar
colocarei
flores no cabelo
para impressionar você
pétalas no lençol
perfume de lírio branco
estou pronta
cor de carmim
quero me enfeitar
vou pintar meu
coração de flores
para lhe esperar
colocarei
flores no cabelo
para impressionar você
pétalas no lençol
perfume de lírio branco
estou pronta
coisas que inspiram
um café quentinho com canela
uma poesia do Leminski
um baseado para fumar
uma bala de hortelã
um cheiro de priprioca
uma dádiva de amor
amanhecer com o sol nos olhos
caminhar na areia da praia
dormir de conchinha!
sofrer de paixão acabada
tomar uma cerveja gelada
assistir um filme emocionante
acender um incenso
deixar os cabelos ao vento
dia de bruma branca
pé na bunda
madrugada
cachoeira
e a própria
inspiração
uma poesia do Leminski
um baseado para fumar
uma bala de hortelã
um cheiro de priprioca
uma dádiva de amor
amanhecer com o sol nos olhos
caminhar na areia da praia
dormir de conchinha!
sofrer de paixão acabada
tomar uma cerveja gelada
assistir um filme emocionante
acender um incenso
deixar os cabelos ao vento
dia de bruma branca
pé na bunda
madrugada
cachoeira
e a própria
inspiração
do amor sem identidade 2
Ele precisou de todos esses anos e não aprendeu a se amar.
Ela demorou o mesmo tempo e não conseguiu perdoar os próprios erros.
Se encontraram então um dia?
Sim.
até hoje estão juntos
I SEE DEAD PEOPLE
vejo pessoas cheias de amarguras
duras rochas que se espatifam no chão
andando feito zumbis pelas ruas
encontro elas em todos os lugares
desde onde eu vim
pessoas secas
presas em arames
lágrimas secas
desespero absurdo
vejo pessoas doentes
sua dor e pesadelo
cantos fétidos
pranto
onde não é alegre nem fácil
onde cantam os vilões
onde a carne sangra
onde ninguém vai
de onde não se volta
onde habita a morte
e o desengano
duras rochas que se espatifam no chão
andando feito zumbis pelas ruas
encontro elas em todos os lugares
desde onde eu vim
pessoas secas
presas em arames
lágrimas secas
desespero absurdo
vejo pessoas doentes
sua dor e pesadelo
cantos fétidos
pranto
onde não é alegre nem fácil
onde cantam os vilões
onde a carne sangra
onde ninguém vai
de onde não se volta
onde habita a morte
e o desengano
não é FRIBOI
vaquinhas pastam
felizes no pasto
não sabem
simplesmente
o que lhes aguarda
um dia vaquinhas brancas
noutro dia vacas malhadas
umas leiteiras, outras... pasmem!
a carne não é FRIBOI
felizes no pasto
não sabem
simplesmente
o que lhes aguarda
um dia vaquinhas brancas
noutro dia vacas malhadas
umas leiteiras, outras... pasmem!
a carne não é FRIBOI
ESPERANÇA
uma esperança surge
com a respiração ofegante
com um soluço bêbado
com uma paixão inebriante
Kátia Kirino
terça-feira, 9 de abril de 2013
Cachoeira da Saudade
Despenca água na curva do rio
é pedra, ferradura, é morro
Desce mansa na planície serena
é terra, tenra, é serra
Queda d'água do céu azul celeste
é cachoeira, bela, é ela
é pedra, ferradura, é morro
Desce mansa na planície serena
é terra, tenra, é serra
Queda d'água do céu azul celeste
é cachoeira, bela, é ela
do amor sem identidade
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Fingindo palavras sinceras para você
Você hoje completa 40 anos. Uma vida de buscas, encontros e desencontros. Quarenta anos experimentando o doce e o amargo de ser vivo. É motivo suficiente para comemorar! Que venha a festa, com banda e DJ, com amigos e a família, com cerveja e tira gosto. Quem sabe assim não tiramos o gosto amargo das decepções que os anos acumulam sob nossos ombros.
Crise dos quarenta? Passe por ela com resiliência, pois outras crises dos enta virão! E a cada uma delas, novas mudanças e outras esperanças...
Aprendi contigo que não são os bens acumulados que medem o quanto vivemos e sim a capacidade de acumular sabedoria.
Eterno menino, de sorriso largo e braços abertos. De certa ingenuidade e muita habilidade com o ato de fingir palavras. Piadista nato, artista ainda a (nas)ser, amante do baixio das putas e das damas da sociedade. "O poeta é um fingidor", disse Fernando Pessoa, "finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente." Assim finges o seu amor, a sua fúria, a sua loucura, assim finges a sua própria vida: com a intensidade de um tufão.
Se antes te pensava ideal, hoje te sei carne e osso, como homem e como ser pensante. Se de tantas diferenças encontramos a união, é das nossas igualdades que consolidamos uma relação. E quanto amor ainda tenho para lhe dar... sonho com tantas viagens, tanto mar... um filho para lhe dar. Quanta conversa jogada fora, quanta gargalhada no ar...
Ouço agora uma canção, preparada para você, meio rock com tambor, só pra gente dançar agarradinho e rodopiar pelo mundo. Tudo bem, você pode ser o cantor! Rsrsrsrsrsrsrsss!!!!!!
Siga os seus sonhos e os seus instintos meu amor. Trace um rumo, mesmo que seja ao desconhecido. Além de tudo seja você e seja nós. Que assim seja.
Te amo.
Sua Tita
Crise dos quarenta? Passe por ela com resiliência, pois outras crises dos enta virão! E a cada uma delas, novas mudanças e outras esperanças...
Aprendi contigo que não são os bens acumulados que medem o quanto vivemos e sim a capacidade de acumular sabedoria.
Eterno menino, de sorriso largo e braços abertos. De certa ingenuidade e muita habilidade com o ato de fingir palavras. Piadista nato, artista ainda a (nas)ser, amante do baixio das putas e das damas da sociedade. "O poeta é um fingidor", disse Fernando Pessoa, "finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente." Assim finges o seu amor, a sua fúria, a sua loucura, assim finges a sua própria vida: com a intensidade de um tufão.
Se antes te pensava ideal, hoje te sei carne e osso, como homem e como ser pensante. Se de tantas diferenças encontramos a união, é das nossas igualdades que consolidamos uma relação. E quanto amor ainda tenho para lhe dar... sonho com tantas viagens, tanto mar... um filho para lhe dar. Quanta conversa jogada fora, quanta gargalhada no ar...
Ouço agora uma canção, preparada para você, meio rock com tambor, só pra gente dançar agarradinho e rodopiar pelo mundo. Tudo bem, você pode ser o cantor! Rsrsrsrsrsrsrsss!!!!!!
Siga os seus sonhos e os seus instintos meu amor. Trace um rumo, mesmo que seja ao desconhecido. Além de tudo seja você e seja nós. Que assim seja.
Te amo.
Sua Tita
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Meu Anjo da Guarda
Minha vida não é um fardo
nada me veio de mãos beijadas
até nascer foi um parto doído
mas eu tenho um anjo que não me larga.
Não gosto de contar vantagem
eu vim de boa família
me educaram, me deram pão e flores
mesmo dormido, o pão me cresceu
as feridas do espinho cicatrizam
na carne dura e desarrumada.
De tanto amar e ser amada
sei que só nunca fiquei
mas os tropeços e tentativas
me calejaram o coração
que mesmo duro e todo furado
ainda bate pelo homem errado.
Sempre fui torta, nunca fui santa
muito vinho e pouco juízo
virei noites atrás de prazeres perdidos
hoje passo os dias na vida dura.
Nada vem de graça, nem o pão nem a cachaça
nem tudo são flores, tem as pedras, os desamores
assim eu vou vivendo, dores nas costas
vento nas asas e sorriso na cara.
nada me veio de mãos beijadas
até nascer foi um parto doído
mas eu tenho um anjo que não me larga.
Não gosto de contar vantagem
eu vim de boa família
me educaram, me deram pão e flores
mesmo dormido, o pão me cresceu
as feridas do espinho cicatrizam
na carne dura e desarrumada.
De tanto amar e ser amada
sei que só nunca fiquei
mas os tropeços e tentativas
me calejaram o coração
que mesmo duro e todo furado
ainda bate pelo homem errado.
Sempre fui torta, nunca fui santa
muito vinho e pouco juízo
virei noites atrás de prazeres perdidos
hoje passo os dias na vida dura.
Nada vem de graça, nem o pão nem a cachaça
nem tudo são flores, tem as pedras, os desamores
assim eu vou vivendo, dores nas costas
vento nas asas e sorriso na cara.
sábado, 16 de junho de 2012
O Banho das cachorras
Hoje, na hora da nossa despedida, eu não queria implicar com você. Eu lhe admiro tanto por ser um cara na maior parte do tempo tranquilo, fácil e gostoso de conviver. Mas a sua tranquilidade é tamanha que bate de frente com a minha ansiedade. Eu me irrito com sua mansidão, sua falta de pressa em realizar as coisas do dia a dia, sua despreocupação com o daqui a pouco. Então invento logo uma coisa pra mostrar minha insatisfação. Hoje reclamei da falta de atenção que me dá para ficar na frente do computador. Eu lá, estudando, sem poder lhe dar atenção também... Mas era para você ir dar banho nas cachorras, desde ontem você falava nisso. Mas faltavam menos de 40 minutos para você sair e ainda estava na frente do computador. Elas lá, tadinhas, todas morrinhentas, o sol indo embora, e o banho.... nem sei se elas tomaram banho, pois tomei o rumo da minha casa para ficar remoendo esta situação.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Sonho
Esta noite sonhei que tinha morrido. Mesmo morta, meu corpo e mina mente ainda estavam vivos. Era como se a morte tivesse se anunciado e aos poucos eu fui perdendo minha energia vital. A cada momento eu ficava mais fraca, as pernas não conseguiam mais andar, o pensamento mais lento, e eu lutava para permancer naquele estado morto vivo. Meu único medo era o de começar a sentir o cheiro da decomposição do corpo.
Falei com meus pais, minha mãe inconsolada, eu a acalmava... Falei com outras pessoas, não me lembro, eu estava no trabalho, não sei ao certo. Falei com a Sueli, que é espírita e trabalhou comigo anos atrás, parece que nos encontramos de verdade...
Que sonho maluco...
Falei com meus pais, minha mãe inconsolada, eu a acalmava... Falei com outras pessoas, não me lembro, eu estava no trabalho, não sei ao certo. Falei com a Sueli, que é espírita e trabalhou comigo anos atrás, parece que nos encontramos de verdade...
Que sonho maluco...
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Cabana dos Sonhos
“E é de você que eu lembro quando falam de amor. É em você que eu penso antes de dormir. É você que eu imagino ao meu lado daqui a décadas. É tudo você. Sempre vai ser você. E isso eu já não posso controlar mais, pois é em você que estou pensando agora.”
| — | Cabana dos Sonhos. |
terça-feira, 8 de maio de 2012
Não me olhe assim
Seus olhos são rios de águas profundas
onde posso navegar tranquilamente
Parecem duas luas distantes
de outra galáxia
dois tesouros
duas pedras
cegos
onde posso navegar tranquilamente
Parecem duas luas distantes
de outra galáxia
dois tesouros
duas pedras
cegos
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Narcisa Amália - A Sinfonia da Paixão Eterna!...
Republicana, Abolicionista, feminista. Alguns dos adjetivos que podem falar de Narcisa Amália.
Em 25/04/12 foi realizado o sarau sobre a poetisa e jornalista Narcisa Amália, que passou grande parte da sua vida em Resende, cidade que encantou em versos. Através do Arquivo Histórico da FCCMM em Resende, eu, Fátima Porto, Paula Mirela e João Sabóia enveredamos nesta rica e empolgante história, realizando a pesquisa junto com o historiador Claudionor Rosa, selecionando textos, idealizando um vídeo e organizando o sarau.
O plenário da Câmara Municipal de Resende foi o palco para a apresentação do trabalho e a pequena platéia pode participar do desfecho, com a leitura coletiva do Cordel Narcisa Amália. Já o vídeo, obra do amigo e artista plástico João Sabóia e da artista plástica e mais que amiga Fátima Porto. Visitamos a Rua Narcisa Amália e a Travessa Narcisa Amália para filmar, fotografar e falar com os moradores. O resultado ficou carinhoso e poético, uma homenagem necessária da cidade de Resende a esta mulher que quebrou paradigmas e levantou bandeiras ainda necessárias nos dias atuais.
Para coroar o evento, a atriz Paula Mirela caracterizou a própria personagem de Narcisa Amália para receber os convidados.
Eu, que há muito queria voltar a realizar os saraus no projeto Câmara Cultural, me juntei a este grupo e cuidei dos bastidores e preparativos. Também recitei alguns poemas e participei do vídeo. Aprendi muitas palavras antigas e passei a admirar a história desta mulher que conseguiu, mesmo sendo republicana, a admiração e o respeito de Dom Pedro II, o Rei.
Com vocês, ela, Narcisa Amália!
Dirás que é falso. Não. É certo. Desço
Ao fundo d’alma toda vez que hesito...
Cada vez que uma lágrima ou que um grito
Trai-me a angústia - ao sentir que desfaleço...
E toda assombro, toda amor, confesso,
O limiar desse país bendito
Cruzo: - aguardam-me as festas do infinito!
O horror da vida, deslumbrada, esqueço!
É que há dentro vales, céus, alturas,
Que o olhar do mundo não macula, a terna
Lua, flores, queridas criaturas,
E soa em cada moita, em cada gruta,
A sinfonia da paixão eterna!...
- E eis-me de novo forte para a luta.
Veja o vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=RAeOW7NSunM
Em 25/04/12 foi realizado o sarau sobre a poetisa e jornalista Narcisa Amália, que passou grande parte da sua vida em Resende, cidade que encantou em versos. Através do Arquivo Histórico da FCCMM em Resende, eu, Fátima Porto, Paula Mirela e João Sabóia enveredamos nesta rica e empolgante história, realizando a pesquisa junto com o historiador Claudionor Rosa, selecionando textos, idealizando um vídeo e organizando o sarau.
O plenário da Câmara Municipal de Resende foi o palco para a apresentação do trabalho e a pequena platéia pode participar do desfecho, com a leitura coletiva do Cordel Narcisa Amália. Já o vídeo, obra do amigo e artista plástico João Sabóia e da artista plástica e mais que amiga Fátima Porto. Visitamos a Rua Narcisa Amália e a Travessa Narcisa Amália para filmar, fotografar e falar com os moradores. O resultado ficou carinhoso e poético, uma homenagem necessária da cidade de Resende a esta mulher que quebrou paradigmas e levantou bandeiras ainda necessárias nos dias atuais.
Para coroar o evento, a atriz Paula Mirela caracterizou a própria personagem de Narcisa Amália para receber os convidados.
Eu, que há muito queria voltar a realizar os saraus no projeto Câmara Cultural, me juntei a este grupo e cuidei dos bastidores e preparativos. Também recitei alguns poemas e participei do vídeo. Aprendi muitas palavras antigas e passei a admirar a história desta mulher que conseguiu, mesmo sendo republicana, a admiração e o respeito de Dom Pedro II, o Rei.
Com vocês, ela, Narcisa Amália!
Dirás que é falso. Não. É certo. Desço
Ao fundo d’alma toda vez que hesito...
Cada vez que uma lágrima ou que um grito
Trai-me a angústia - ao sentir que desfaleço...
E toda assombro, toda amor, confesso,
O limiar desse país bendito
Cruzo: - aguardam-me as festas do infinito!
O horror da vida, deslumbrada, esqueço!
É que há dentro vales, céus, alturas,
Que o olhar do mundo não macula, a terna
Lua, flores, queridas criaturas,
E soa em cada moita, em cada gruta,
A sinfonia da paixão eterna!...
- E eis-me de novo forte para a luta.
Veja o vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=RAeOW7NSunM
sexta-feira, 27 de abril de 2012
DEIXA SEU MEDO
olha...
olha bem fundo
mira...
deixa a imagem entrar nas retinas da sua alma
deixa o som penetrar os tímpanos da sua existência
sente...
sente a essência
flua...
deixa o medo e transforma a fera em gato
deixa a imaginação correr e seja....
seja apenas você.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
A liberdade de expressão virou liberdade de opressão pela imposição de opiniões
É um inferno...
Você está lá na sua rede social preferida e aparece aquele chato com comentários maliciosos, cheios de preconceitos, falsas verdades e dizendo ser legítimo o poder de expressar sua opinião. Não importa se ele foi mal educado, ignorante, inapropriado, estraga prazer e por aí vai. Será que tem sempre um capetinha do lado da pessoa que fica no computador, dizendo:
_Inferniza a vida dessa pessoa, a razão é sua, provoque a discórdia, não deixe as pessoas serem felizes, tire delas o seu potencial de expressão.
Sem sacanagem, eu me sinto reprimida neste ambiente hostil. Cara, uma foto da Janis Joplin de top less no Rio de Janeiro na década de 70 foi o bastante para provocar a fúria de um internauta que não gosta dela. Saiu disparando seu desprazer contra a "inocente" pessoa que apenas compartilhou a foto com uma mensagem de fã. A pobre ficou com a imagem de uma lunática que fala com um morto que não deveria nem ter nascido (na opinião do cara).
Sinceramente, eu prefiro escrever aqui neste blog, que só eu mesma visito de vez em quando, onde leio e releio meus pensamentos, avalio e reavalio meus pensamentos. A opinião dos outros já não está mais me interessando, não desta maneira impositiva, desrespeitosa. Não me interessam intermináveis debates que acabam em ofensas pessoais e nenhum aproveitamento para o conhecimento e mudança de atitude. Não me interessam posições reacionárias, denuncismo, preconceitos contra gays e loiras, perfis fakes, pessoas que vendem felicidade ou se expõem de forma dramática.
Criou-se um conceito de democracia distorcido. A liberdade de expressão virou liberdade de opressão pela imposição de opiniões. Transformamo-nos em inquisitores moralistas e fanáticos. A sociedade ficou careta, muito politicamente correta. As redes sociais atuam como meios de controle de opiniões de massa. Compartilhamos as idéias dos outros e não criamos nossas próprias idéias. A maioria das pessoas está perdendo sua identidade diante deste avassalador meio de comunicação.
Não quero demonizar as redes sociais, somente refletir sobre este outro lado um tanto quanto esquecido pelas pessoas na hora em que os dedinhos tocam as teclas e o mouse clica na tela. Aliás, a foto da Janis Joplin é uma raridade! Confira.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Brechó
Ando pensando em fazer um brechó virtual com minhas roupas, aquelas que já não me servem mais. Sempre quis ter um brechó, com roupas e acessórios vintage e aquelas roupas de dondocas novas que vão parar nos bazares beneficentes da cidade. Tem cada preciosidade... tudo a R$ 2,00 ou R$ 3,00. Acho incrível. O meu maior receio é investir e não conseguir vender ou então querer comprar tudo... rsrsrsrsrs. Mas vou amadurecer esta ideia.
segunda-feira, 12 de março de 2012
CALA A BOCA E ME ESCREVA
Escrever neste momento me parece melhor. Tenho medo das palavras, essas perversas letras que vão juntando-se e revelando demais os pensamentos saídos da boca. Geralmente, na minha intensidade de ser, eu deixo sair tudo aquilo que não cabe mais dentro de mim. É assim que nós cagamos, e assim saem as palavras da minha boca, cagadas.
Como eu gosto do silêncio. Sou capaz de ficar horas, talvez dias, sem emitir uma única palavra. Isso seria muito bom se pudesse acontecer, mas somos sempre obrigados a falar. Prefiro usar a boca para comer, para cantar, para beijar. Não consigo entender as pessoas que falam sem parar, não devem nem saber o que saem pelas suas bocas, tantas besteiras, tanta conversa sem sentido e sem porquê.
Escrever é mais sabido, é mais pausado, pode ser apagado, revisado. Escrever requer o uso mais consciente das palavras, exercita o pensamento e a boa linguagem. Ao escrever posso ser mais verdadeira, posso registrar e prolongar o que dito se perderia ao vento.
Por isso lhe escrevo. Pois a boca já não suporta o peso do que penso, pois assim não sou tomada pelo calor das emoções, pois não tenho seus olhos ouvintes para mergulhar e me perder nas palavras. A escrita é fria como eu gostaria de ser.
Escrevo para lhe dizer que sinto muito, de forma tão extrema que não consigo entender, não tenho controle. Sinto muito por ser assim, pedra e fogo, peso e escuridão. Sinto por ter-lhe magoado com minha brutal falta de paciência e de ciência do que posso vir a fazer. Mas é assim. Não se volta atrás do que se faz, apenas se pode refazer a história, repensá-la, perdoá-la.
Quando existe amor, existe a possibilidade da mudança, pois o desejo de não magoar a pessoa amada convive ao lado do egoísmo e do egocentrismo. Isso balança alguma coisa dentro, mexe com as estruturas e arranha as verdades construídas. O desejo de con-viver, de misturar os odores, os anseios, o desejo da pele, da penetração, o desejo de ser desejada, de ser admirada, de desejar e admirar.
Tenho medo de te perder nesses momentos de contradição. Tenho-te tão profundamente e ao mesmo tempo deixo-lhe tão livre que sinto que podes voar. Aprendi a amar assim, em liberdade, sem exigir mudanças, sem o peso de cobranças banais. Mas sempre tem um momento em que pesam as asas e que amor esmorece. São momentos passageiros como a vida e como o tempo, súbitos como a morte.
Minha única certeza é de que tenho-te dentro de mim e lhe respeito inteiramente neste espaço interior, compreendo suas diferenças e crenças e vejo tanta beleza que chego a não acreditar no tanto que a vida veio me presentear. Eu tenho por você um amor que desconheço igual, que nunca mais existirá.
Para mim isso basta. Não me importa o que você faz ou não faz, enquanto me respeitar e me tratar com o amor e carinho que lhe são costumeiros, eu também vou lhe amar. Se um dia algum desses ingredientes faltar, tempero com fé pois essa nunca há de me abandonar.
Não vai conseguir ouvir de mim essas palavras, senão lidas, mas nunca faladas sem roteiro. Não sou muito boa em retórica e sempre que lhe escrever, pode crer que é o momento em que mais preciso que me escute. Meu silêncio vale mais que 1000 palavras.
Te amo.
Como eu gosto do silêncio. Sou capaz de ficar horas, talvez dias, sem emitir uma única palavra. Isso seria muito bom se pudesse acontecer, mas somos sempre obrigados a falar. Prefiro usar a boca para comer, para cantar, para beijar. Não consigo entender as pessoas que falam sem parar, não devem nem saber o que saem pelas suas bocas, tantas besteiras, tanta conversa sem sentido e sem porquê.
Escrever é mais sabido, é mais pausado, pode ser apagado, revisado. Escrever requer o uso mais consciente das palavras, exercita o pensamento e a boa linguagem. Ao escrever posso ser mais verdadeira, posso registrar e prolongar o que dito se perderia ao vento.
Por isso lhe escrevo. Pois a boca já não suporta o peso do que penso, pois assim não sou tomada pelo calor das emoções, pois não tenho seus olhos ouvintes para mergulhar e me perder nas palavras. A escrita é fria como eu gostaria de ser.
Escrevo para lhe dizer que sinto muito, de forma tão extrema que não consigo entender, não tenho controle. Sinto muito por ser assim, pedra e fogo, peso e escuridão. Sinto por ter-lhe magoado com minha brutal falta de paciência e de ciência do que posso vir a fazer. Mas é assim. Não se volta atrás do que se faz, apenas se pode refazer a história, repensá-la, perdoá-la.
Quando existe amor, existe a possibilidade da mudança, pois o desejo de não magoar a pessoa amada convive ao lado do egoísmo e do egocentrismo. Isso balança alguma coisa dentro, mexe com as estruturas e arranha as verdades construídas. O desejo de con-viver, de misturar os odores, os anseios, o desejo da pele, da penetração, o desejo de ser desejada, de ser admirada, de desejar e admirar.
Tenho medo de te perder nesses momentos de contradição. Tenho-te tão profundamente e ao mesmo tempo deixo-lhe tão livre que sinto que podes voar. Aprendi a amar assim, em liberdade, sem exigir mudanças, sem o peso de cobranças banais. Mas sempre tem um momento em que pesam as asas e que amor esmorece. São momentos passageiros como a vida e como o tempo, súbitos como a morte.
Minha única certeza é de que tenho-te dentro de mim e lhe respeito inteiramente neste espaço interior, compreendo suas diferenças e crenças e vejo tanta beleza que chego a não acreditar no tanto que a vida veio me presentear. Eu tenho por você um amor que desconheço igual, que nunca mais existirá.
Para mim isso basta. Não me importa o que você faz ou não faz, enquanto me respeitar e me tratar com o amor e carinho que lhe são costumeiros, eu também vou lhe amar. Se um dia algum desses ingredientes faltar, tempero com fé pois essa nunca há de me abandonar.
Não vai conseguir ouvir de mim essas palavras, senão lidas, mas nunca faladas sem roteiro. Não sou muito boa em retórica e sempre que lhe escrever, pode crer que é o momento em que mais preciso que me escute. Meu silêncio vale mais que 1000 palavras.
Te amo.
quarta-feira, 7 de março de 2012
ELA
Começou a trabalhar cedo, não ganhava nem um salário mínimo. O pai aposentou por invalidez, a família começou a passar apertado. Mesmo assim juntou durante dezenove anos o dinheirinho para comprar um carro usado. Mesmo assim o pai completou o dinheiro que faltava. Fez três faculdades, não aguentava mais andar a pé, ou pagava a passagem de ônibus, ou juntava outro dinheirinho para a mensalidade. É preta, mas não solicitou vaga na cota para o vestibular. Diz que já ouviu muito "Só está fazendo faculdade por causa da cota". Não é porque tem a pele negra que vai ter menos capacidade para as coisas. "Só não consegue quem não quer", diz. Ainda não tem o carro novo, continua juntando o dinheiro, mas sente-se vitoriosa! Não tem vergonha nenhuma em dizer que usou muita roupa dos outros. A conhecida da mãe tinha um filho que regulava a idade e usava as roupas dele, sapato, calça, ela e as irmãs. Não foi por isso que deixou de ser ela. Ninguém morre por causa disso, a família toda fez faculdade, menos um irmão porque não quis. Sua primeira casa foi uma garagem, que arrumou e viveu como uma princesa. Era pequena, só um cômodo, mas ali cabia seus sonhos, seus sentimentos, sua vida. Teve que mudar pois não cabiam as coisas!
Ouvi hoje esta história contada por uma mulher negra, por volta dos seus cinquenta anos, que hoje é Secretária Municipal em uma Prefeitura de um município do interior do Estado do Rio de Janeiro. Sua trajetória de superação, força, alegria, determinação e vontade de viver me emocionou muito e me levou a pensar nos meus próprios desafios, nas minhas limitações e em tudo que eu ainda quero conquistar.
Por isso, dedico o dia de hoje, 08 de março, Dia Internacional da Mulher, a esta mulher simples, bela e guerreira, e espero vê-la em breve no seu carro novo!
Parabéns a todas as mulheres do mundo.
Ouvi hoje esta história contada por uma mulher negra, por volta dos seus cinquenta anos, que hoje é Secretária Municipal em uma Prefeitura de um município do interior do Estado do Rio de Janeiro. Sua trajetória de superação, força, alegria, determinação e vontade de viver me emocionou muito e me levou a pensar nos meus próprios desafios, nas minhas limitações e em tudo que eu ainda quero conquistar.
Por isso, dedico o dia de hoje, 08 de março, Dia Internacional da Mulher, a esta mulher simples, bela e guerreira, e espero vê-la em breve no seu carro novo!
Parabéns a todas as mulheres do mundo.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
MINEIRAÇÕES
Sou feita de pão de queijo e
de minhas lembranças de Minas.
Nos meus sonhos,
tropeço em igrejas espalhadas
em todas as esquinas
Na memória, o gosto do leite
quentinho tirado da vaca.
Meu avô todo dia
preparava o queijo na cozinha
e me ensinava calmamente a
misturar o coalho, tirar o soro,
amassar e esculpir o queijo.
Depois sentava na mesa,
molhava a broa no leite e comia.
Quantas mesas fartas,
quantas histórias de mulas sem cabeças
quantas soleiras nas calçadas.
O sino da igreja toca
é hora de subir o morro
logo começa a missa
hoje é dia de crisma
hoje é dia de festa na rua
hoje é dia de Folia de Reis!
Sou feita de trilhos de ferro e
de esperança em um dia retornar.
Em meus sonhos,
eu voo sobre as colinas verdes
e o chão sem mar.
Quando eu fui embora
deixei o sotaque da terra
e também uma vida toda.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
O CAMINHO QUE SE FAZ PELA ÚLTIMA VEZ

O caminho que se faz pela última vez
tem o cheiro dos dias findos
o sabor de limo das lembranças
a hesitação do ainda desconhecido
O caminho que se faz pela última vez
tem o dom de querer voltar
e passar por cada pedra, paisagem
cada janela, cada porta, cadeado
E reter todo o seu calor, toda sua
serenidade, passo a passo...
Cada verdade do útimo caminhar
ido e findo, sem olhar para trás
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Nunca Mais
nada serve
tá tudo diferente
o corpo sente
a alma viceja
está em pedaços
não junta mais
é como um dia
que ficou pra trás
tá tudo diferente
o corpo sente
a alma viceja
está em pedaços
não junta mais
é como um dia
que ficou pra trás
terça-feira, 20 de setembro de 2011
SOMOS
CADA SENTIDO DO MEU CORPO
EMANA SUA PRESENÇA VIVA
OS POROS RESPIRAM FUNDO
O MESMO AR QUE PULSA
EM SEU PEITO
SE SOMOS DOIS?
_SOMOS MÚLTIPLOS.
E CADA FACE
QUE CONHEÇO SUA
ME REVELA O QUANTO
PODEMOS SER CADA VEZ
MAIS
NÓS MESMOS
MAIS
DO QUE JÁ SOMOS
EMANA SUA PRESENÇA VIVA
OS POROS RESPIRAM FUNDO
O MESMO AR QUE PULSA
EM SEU PEITO
SE SOMOS DOIS?
_SOMOS MÚLTIPLOS.
E CADA FACE
QUE CONHEÇO SUA
ME REVELA O QUANTO
PODEMOS SER CADA VEZ
MAIS
NÓS MESMOS
MAIS
DO QUE JÁ SOMOS
domingo, 18 de setembro de 2011
EM BUSCA DE UM TEMA, UM MOTIVO, UM ASSUNTO PARA CRIAR UM ESPETÁCULO
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| Cia. da Ação! "Na Encruza". Foto: Fátima Porto |
Por Calé Miranda
Nosso experimento começou sem pretensão. Éramos 7, na verdade um grupo de 7 performers + um diretor, todos interessados em explorar minhas idéias- até então particulares- sobre as possibilidades de fazer dialogar mitologia afro-brasileira e butoh japonês. Quase sem querer criamos a performance “Orum-Ayê-Orum”, que temos o prazer de seguir apresentando em diferentes lugares. Estes quatro primeiros meses serviram como introdutórios de uma disciplina até então desconhecida pela maioria do grupo. Hoje o grupo conta com onze performers e continuam os pedidos de gente interessada em experimentar o afro-butoh conosco. Quase sempre aceitamos este pedido uma vez que o trabalho é tão pessoal e intenso e o grupo é tão absorvente que o candidato ou desiste na segunda aula ou considera-se no grupo “desde criancinha”.
Partimos agora para uma nova fase: vamos realizar quatro workshops temáticos a fim de descobrir um possível assunto para pesquisa de espetáculo. Pretendemos a cada quatro semanas nos aprofundar num assunto determinado, estudando o tema em nossos corpos e na teoria, recebendo palestrantes e oficineiros, enfim, experimentando ao máximo o embrião de um possível espetáculo afro-butoh.
O primeiro workshop será: “Povo da Rua”. Estudaremos os Exus e seus significados, o caminho, a mensagem, a palavra, a esperteza. Exploraremos o universo de Pombagiras, Malandros, Zés, Ciganas; suas relações com a festa, o prazer, a musica, a ginga. Numa lembrança rápida temos a imagem de samurais e gueixas, sem-teto japoneses, sobreviventes da bomba. Cachaça e saquê, que tipo de drink isto vai dar¿ Não sabemos, mas estamos ávidos para experimentar.
"A VIDA É SONHO" De Cálderon de La Barca
"Ai
de mim, ai, pobre de mim!
Aqui estou, ó Deus, para entender que crime cometi contra Vós.
Mas, se nasci, eu já entendo o crime que cometi.
Aí está motivo suficiente para Vossa justiça, Vosso rigor, porque o crime maior do homem é ter nascido.
Para apurar meus cuidados, só queria saber que outros crimes cometi contra Vós além do crime de nascer. Não nasceram outros também?
Pois, se os outros nasceram, que privilégios tiveram que eu jamais gozei?
Nasce uma ave e, embelezada por seus ricos enfeites, não passa de flor de plumas, ramalhete alado quando veloz cortando salões aéreos, recusa piedade ao ninho que abandona em paz.
E eu, tendo mais instinto, tenho menos liberdade?
Nasce uma fera e, com a pele respingada de belas manchas, que lembram estrelas.
Logo, atrevida e feroz, a necessidade humana lhe ensina a crueldade, monstro de seu labirinto.
E eu, tendo mais alma, tenho menos liberdade?
Nasce um peixe, aborto de ovas e Iodo e, feito um barco de escamas sobre as ondas, ele gira, gira por toda parte, exibindo a imensa habilidade que lhe dá um coração frio.
E eu, tendo mais escolha, tenho menos liberdade?
Nasce um riacho, serpente prateada, que dentre flores surge de repente e de repente, entre flores se esconde onde músico celebra a piedade das flores que lhe dão um campo aberto à sua fuga.
E eu, tendo mais vida, tenho menos liberdade?
Assim, assim chegando a esta paixão, um vulcão qual o Etna quisera arrancar do peito, pedaços do coração.
Que lei, justiça ou razão pôde recusar aos homens privilégio tão suave, exceção tão única que Deus deu a um cristal, a um peixe, a uma fera e a uma ave?"
Aqui estou, ó Deus, para entender que crime cometi contra Vós.
Mas, se nasci, eu já entendo o crime que cometi.
Aí está motivo suficiente para Vossa justiça, Vosso rigor, porque o crime maior do homem é ter nascido.
Para apurar meus cuidados, só queria saber que outros crimes cometi contra Vós além do crime de nascer. Não nasceram outros também?
Pois, se os outros nasceram, que privilégios tiveram que eu jamais gozei?
Nasce uma ave e, embelezada por seus ricos enfeites, não passa de flor de plumas, ramalhete alado quando veloz cortando salões aéreos, recusa piedade ao ninho que abandona em paz.
E eu, tendo mais instinto, tenho menos liberdade?
Nasce uma fera e, com a pele respingada de belas manchas, que lembram estrelas.
Logo, atrevida e feroz, a necessidade humana lhe ensina a crueldade, monstro de seu labirinto.
E eu, tendo mais alma, tenho menos liberdade?
Nasce um peixe, aborto de ovas e Iodo e, feito um barco de escamas sobre as ondas, ele gira, gira por toda parte, exibindo a imensa habilidade que lhe dá um coração frio.
E eu, tendo mais escolha, tenho menos liberdade?
Nasce um riacho, serpente prateada, que dentre flores surge de repente e de repente, entre flores se esconde onde músico celebra a piedade das flores que lhe dão um campo aberto à sua fuga.
E eu, tendo mais vida, tenho menos liberdade?
Assim, assim chegando a esta paixão, um vulcão qual o Etna quisera arrancar do peito, pedaços do coração.
Que lei, justiça ou razão pôde recusar aos homens privilégio tão suave, exceção tão única que Deus deu a um cristal, a um peixe, a uma fera e a uma ave?"
sábado, 17 de setembro de 2011
O desejo aceso
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Está fazendo um ano
Está fazendo um ano meu amor, que nós estamos juntos! Parece que nunca estive longe de você... Certas coisas na vida não possuem explicação, nem sentido, nem probabilidades. Nunca imaginei antes que você seria o grande amor da minha vida. Sempre vi você pelas ruas, andando sozinho, muito na sua. Sempre ouvi falar de você, e nunca senti nada, nenhuma atração, nenhum sentido, nenhum desejo.
A culpa foi do Noel Rosa. Aquele sarau que nasceu da nossa primeira conversa e que povoou nossas mentes com a história de amor de Noel e Ceci. Eu te olhei com outro jeito, com minha curiosidade de mulher, com os olhos já com fome... Então vieram as coincidências, os encontros no teatro, as festinhas na OKA Timburibá. Até uma bela noite de junho, lua nova, eu exausta de uma apresentação de dança do ventre e de outra performance artística "A saída de LILITH do Éden". Você ali o tempo todo, rondando, pesquisando, sentindo. Depois daquele beijo, em que saímos e nunca mais voltamos, minha vida tomou novo rumo.
Faz um ano apenas que você chegou lá em casa às 7:30h da manhã de sábado, ficou em pé no colchão da cama, segurou minhas mãos, olhou nos meus olhos e perguntou: "quer namorar comigo?" Era tudo que eu queria, não precisava nem perguntar! Foi tão mágico, que ainda me belisco com medo de estar sonhando.
Eu te amo, Márcio Whately, um amor que nunca antes vivi ou senti.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Morri daqui a uma semana
Escrevo para dizer
que morri daqui a uma semana
Foi de morte natural
misto de descanso e sossego
tive que pedir arrego
Morte de vício e tédio
desses que não dá mais
para conviver
Morte de saudade
irremediável
Morte do que fui
para nascer quem sou
e morrer sem parar
Nada de velório
me deixa ir
arranja outro amor
faça aquela viagem
Mas cuidado!
Tem muito equívoco
na liberdade
e muita insanidade
no que parece são
Não navegue numa
canoa quebrada
que morri daqui a uma semana
Foi de morte natural
misto de descanso e sossego
tive que pedir arrego
Morte de vício e tédio
desses que não dá mais
para conviver
Morte de saudade
irremediável
Morte do que fui
para nascer quem sou
e morrer sem parar
Nada de velório
me deixa ir
arranja outro amor
faça aquela viagem
Mas cuidado!
Tem muito equívoco
na liberdade
e muita insanidade
no que parece são
Não navegue numa
canoa quebrada
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terça-feira, 23 de agosto de 2011
quarta-feira, 27 de julho de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
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