Se não me queres inteira,
deixe-me metade,
não quero chorar o fim de um amor
que ainda nem começou.
Mas se queres um pouco,
posso deixar-lhe louco,
louco de tanta paixão.
Só não me tenhas por ter,
pois o seu querer
não pode ser o meu quinhão.
É que carrego comigo um sentido,
muito sentir e minhas entranhas.
Desse calor que careces,
nem os deuses merecem,
senão por muita oração.
Ores no meu ventre que lhe entrego,
pois só Deus explica tanto tesão.
O que peço-lhe é a minha liberdade,
não suporto limitação.
Ao mesmo tempo lhe imploro: sejas meu,
não me deixes solta,
pois o amor é a melhor prisão.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
O Menino
Menino, Menino!
Brinca de chover
Brinca de nascer
Vive de brincar
Descobre o mundo
Aprende a cantar
Ah, meu Menino!
Brinca de amar
Eu vi o Menino
Brincando de criar
Fazendo milagres
Em todo lugar
O Menino me chama:
Vem, vem brincar!
Tenha fé na vida
Que vai melhorar
Eu chamo o Menino
Para me acompanhar
Eu enxergo a vida
No seu doce olhar
(Para Pedro Jonnas Amorim)
MEUSUPERAMOR
Eu queria ser você
Estou tão entregue
Sensação de nunca mais morrer
Total falta de sentido, pulsante
Eu te superamo
Este estado de graça e desgraça
Meu maior dom, divinal
Porque amar é morrer de si
Amo-me mais que a você
Com uma força descomunal
Conhecer-te todo e viver-te
Não existe dor, é milagre do amor
Amar é não viver-se e ser imortal
Te superamo com doçura celestial
Estou tão entregue
Sensação de nunca mais morrer
Total falta de sentido, pulsante
Eu te superamo
Este estado de graça e desgraça
Meu maior dom, divinal
Porque amar é morrer de si
Amo-me mais que a você
Com uma força descomunal
Conhecer-te todo e viver-te
Não existe dor, é milagre do amor
Amar é não viver-se e ser imortal
Te superamo com doçura celestial
SUPERAMORMEU
Eu queria ser você
Este estado de graça e desgraça
Conhecer-te todo e viver-te
Estou tão entregue
Meu maior dom, divinal
Não existe dor, é milagre do amor
Sensação de nunca mais morrer
Porque amar é morrer de si
Amar é não viver-se e ser imortal
Total falta de sentido, pulsante
Amo-me mais que a você
Feitiço do corpo que agora escreve
Eu te superamo
Com uma força descomunal
Te superamo com doçura celestial
Este estado de graça e desgraça
Conhecer-te todo e viver-te
Estou tão entregue
Meu maior dom, divinal
Não existe dor, é milagre do amor
Sensação de nunca mais morrer
Porque amar é morrer de si
Amar é não viver-se e ser imortal
Total falta de sentido, pulsante
Amo-me mais que a você
Feitiço do corpo que agora escreve
Eu te superamo
Com uma força descomunal
Te superamo com doçura celestial
Rotina Virtual

Ninguém entra no meu Blog
Mas meu ORKUT está cheio...
Cheio de amigos desconhecidos
Não tenho tempo de acessar
TWITER, FACEBOOK, MYSPACE
São tantos e-mails para enviar
Temo qualquer ameaça virtual
Basta um Enter e me deletam
Só um Backup para me salvar
MSN, só entro se for Invisível
Calor humano não é acessível
Tb naum sei tc com gnt que eh :-(
Preciso instalar atualizações
Realizar a varredura integral
Fechar os programas e reiniciar
Meu Santo GOOGLE!
Será que consigo ainda hoje
Encerrar a conta e desligar?
Acesse meu Blog: kitquirino.blogspot.com
Aceito seu convite para o TWITER: @kitquirino
Adicione-me no MSN: kitquirino@hotmail.com
Meu Abandono

Eu hoje caminho solitária
Como se não fosse meu o caminhar
Eu hoje caminho a favor do vento
Para ver aonde o vento vai me levar
Lugares distantes tão cheios de estranhos
E eu tão cheia de tudo tão cheia tão cheia
Eu hoje não imagino o que seria de mim
Se não fosse minha liberta presença
Eu me conformo em ser tão sozinha
Isso dentro de mim é silêncio
Silêncio cheio cheio de multidão
E eu tão cheia de mim tão cheia tão cheia
Eu hoje vou dormir recolhida ao seu lado,
Absorver o calor do seu sono profundo
Para me lembrar que a noite, sem ele,
É meu maior e mais frio abandono
Abandono tão cheio de você
E eu tão cheia de lua tão cheia tão cheia
Menos Valia

“O estrangulamento fiscal e monetário da demanda interna”
Foi esta a genial frase dita em economês para explicar ao povo
O que no vulgar entende-se como desigual distribuição de renda
Mas o estrangulamento fiscal e monetário da demanda interna
Fez com que Lourival, chefe de família, saísse de casa com fome
Fez com que os filhos de Lourival ficassem em casa com fome
Fez com que Lourival sacasse uma arma do bolso para roubar
Fez com que ele levasse do açougue carne de vaca sem pagar
O estrangulamento fiscal e monetário da demanda interna
Fez com que Lourival parasse na delegacia como ladrão
E ao reagir, fosse jogado na cela da porca prisão
Foi confundido com o estripador temido
Ambos pretos, pobres e bandidos
Lourival foi estrangulado
Morreu à míngua
Sem valia
A Menor Guerra do Mundo

Era uma vez e não era uma vez...
Atenção na estória que vai começar
É a estória de uma pequenina guerra
Que dizem, nunca mais vai terminar
Não tem mocinho nem bandido
Não tem armas nem mesmo feridos
Mas tem uma grandiosa batalha
Travada em nome do Maior Amor
É a guerra de uma linda rosa branca
Contra os espinhos de sua própria flor
segunda-feira, 21 de junho de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
Cordel da Contra Cultura

A cultura nacional
Anda muito devagar
Não sabe se vai festeira
Ou se fica no jabá
E a música popular brasileira
Só a história vai lembrar
Nossos críticos de arte
Deveriam ter manual
São tantos teoricismos
Que ninguém sabe explicar
Me perdoem o pessimismo
Mas o artista só quer criar
O teatro é visto apenas
Por pequena parte da população
É que ele perdeu audiência
Para os canais de televisão
O ator quer sua evidência
E o público quer outra diversão
O trabalhador da arte
É chamado vagabundo
E pouca gente sabe
Como ele cria o mundo
Sem nenhum salário base
E nem um pequeno fundo
O rádio há muito tempo
Era aquela curtição
Agora ele se tornou
Peça de decoração
Perdeu sua eficiência
Para o Domingão do Faustão
O circo foi fechado
E o menino ficou na rua
O sinal está vermelho
E começa sua agrura
Vira malabarista arteiro
Cospe fogo, engole desventura
O cinema brasileiro
Ganhou muita reputação
Colocou na grande tela
Muitas cenas de ação
Eu já digo sem cautela
Que isso é americanização
A pintura saiu da parede
E ganhou tri dimensão
Já não cabe numa sala
Pois virou instalação
Chamam arte contemporânea
Eu, liberdade de expressão
A cultura brasileira
É um grande bordão
Todo povo é artista
Nos pampas e no sertão
É um povo que samba
É um povo artesão
Para quem me entendeu
Eu fico muito feliz
Mas vou deixar ao leitor
A sua própria opinião
Quem junto vier compor
Da arte será cidadão
Kátia Quirino
EQUILÍBRIO DELICADO
Esta é uma reflexão filosófica.
Quem nunca sentiu uma angústia irremediável, aquele desconforto, um desespero de sei lá o quê?
Já passei por três tipos de desespero na vida. Sou deveras existencialista, e, como tal, preciso sofrer bastante para entender certas coisas. Vamos aos fatos.
Primeiro desespero: sentir-me sem eu mesma. Sabe aquela sensação de perder-se de si próprio? Isso aconteceu em certo momento do meu segundo casamento, principalmente quando meu ex marido me disse a seguinte frase no meio de uma discussão:
_ Nós dois somos um só, não existe eu e você.
Qualquer mulher poderia achar muito romântico, eu achei aquilo estranho. Então eu não sou eu, sou o meu somatório com outro que não eu mesma? Então ele também não é ele? Eu não gosto de carne mal passada e muito menos tenho pau...
Não consigo ver o amor dessa forma, exceto no momento do orgasmo. Momento este sublime, esplêndido e valioso. Individualidade vale para tudo, inclusive para o casamento. Egoísmo? Só quero meu eu de volta.
O segundo desespero é quando meu eu não quer mais ser ele próprio. Um dia desses, saí de casa para o trabalho e bati o carro recém comprado em suaves sessentas prestações na coluna do estacionamento. Amassou, arranhou e me deu um baita prejuízo. Chegando ao trabalho, bronca do chefe, pagamento atrasado e sem internet o dia inteiro. Volto para casa e pasme, cortaram minha luz. Ligo para a amiga e o celular está fora de área. Saio para comprar velas e encontro o chato do síndico que reclamou do barulho no meu apartamento. Chega!
Só faltou tocar o telefone e ser meu ex marido no outro lado da linha pedindo dinheiro emprestado. Isso aconteceu no outro dia de manhã, mas não vem ao caso.
O terceiro desespero é quando meu eu quer ser ele próprio de qualquer maneira e, em determinados momentos, não consegue ser. Sabe aquela sensação de perder o espírito quando um conhecido daquele tipo malandro de botequim te implora um voto para vereador e você diz que vai votar só para encerrar a conversa que já dura uma hora. De verdade, eu queria dizer que nunca votaria nele porque ele é um idiota que não sabe a diferença entre um político e um bêbado chato.
Depois de tanto desespero, resolvi me aproximar de Deus. Afinal, o desespero é viver a morte diariamente. E a fé em algo superior nos conforta a alma e nos faz crer que tudo tem um propósito maior.
Vivemos desesperados e nem nos damos conta disso. O eu sempre quer aquilo que não tem e quer ser aquilo que não é. Diariamente. O desespero é um sofrimento do espírito. Morrer sem cessar, morrer sem morrer e morrer a morte. Desse desespero que ninguém escapa, mesmo que não o saiba conscientemente. Isso fica incomodando, pois da morte todo mundo tem medo.
Preciso mesmo me aproximar de Deus e saber o que ele pretende para mim. Um terceiro marido? Outro emprego? Um bom psicólogo?
Se pudesse pedir, pediria um pouco menos de mim, um pouco mais de mim e... claro, muita fé. Fé para aguentar o rojão sem cair no desespero e para alcançar o equilíbrio entre os meus tantos eus.
Kátia Quirino
Crônicas Poéticas e Hipotéticas
Noel Rosa
Último Desejo
(Noel Rosa)
Nosso amor que eu não esqueço
E que teve seu começo
Numa festa de São João
Morre hoje sem foguete
Sem retrato e sem bilhete
Sem luar sem violão
Perto de você me calo
Tudo penso nada falo
Tenho medo de chorar
Nunca mais quero seu beijo
Mas meu ultimo desejo
Você não pode negar
Se alguma pessoa amiga
Pedir que você Ihe diga
Se você me quer ou não
Diga, que você me adora
Que você lamenta e chora
A nossa separaçao
E as pessoas que eu detesto
Diga sempre que eu não presto
Que o meu lar é o botequim
Que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida
Que você pagou prá mim
(Noel Rosa)
Nosso amor que eu não esqueço
E que teve seu começo
Numa festa de São João
Morre hoje sem foguete
Sem retrato e sem bilhete
Sem luar sem violão
Perto de você me calo
Tudo penso nada falo
Tenho medo de chorar
Nunca mais quero seu beijo
Mas meu ultimo desejo
Você não pode negar
Se alguma pessoa amiga
Pedir que você Ihe diga
Se você me quer ou não
Diga, que você me adora
Que você lamenta e chora
A nossa separaçao
E as pessoas que eu detesto
Diga sempre que eu não presto
Que o meu lar é o botequim
Que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida
Que você pagou prá mim
terça-feira, 20 de abril de 2010
NASCER É UM PARTO
Todo mundo nasce. Essa é a primeira similitude que une os seres humanos no mesmo ato inicial da vida. Mas quanto as diversas formas de nascer, aí cada um tem sua história. Parecidas ou não, felizes ou tristes.
Cuspido, empurrado, puxado, morto. Nascer é natural, mas é um ato estranho. Eu não me lembro do meu nascimento, mas deve ter me dado um medo danado... você lá, todo protegidinho dentro do seu mundinho barriga escurinho, e, de repente, você cai na mão de um ser gigante com uma máscara na cara, que te pega pelas pernas e te dá umas palmadinhas. Então você começa a ver luzes, ouvir vozes altas, sentir frio. Cortam-te pelo umbigo, te levam para longe daquela barriga e... acabou aquele mundinho tranqüilo.
Nascer é um parto...
Eu queria ter nascido de parto natural. Quem não quer sair do mundinho barriga escorregando! Nada mais divertido! Mando a contração, estouro a bolsa de placenta, e lá vou eu!
Mas, segundo relatos maternos, eu nasci de cesárea, praticamente enforcada pelo próprio cordão umbilical. Para piorar a situação, morei no mundinho barriga uma semana a mais, e a Doutora lá da Maternidade Santa Tereza me arrancou as pressas. Ela disse que eu era um bebê pós maturo, ainda bem que meu pai me deu outro nome.
Nasci enrolada no meu belo colar umbilical, mas tamanha vaidade me valeu uma cara toda roxa, inchada e deformada, a pele seca e descamada.
Minha tia até falou, sem muita convicção:
_ Que neném lindo!
Minha mãe foi bem sincera:
_ Será que a minha filha vai ser feia desse jeito, coitadinha...
Naquela época ainda não existia câmera digital, então não foram feitos registros fotográficos dessa minha desgraça primeira. Viva os anos 70!
Minha segunda desgraça foi no mesmo dia, ainda bem que não me lembro desse 5 de agosto, ô diazinho... Depois deste susto, me tiraram dos seios maternos direto para uma caixa aterrorizante. Toda transparente, fechada, quentinha, com uma luz chata nos meus olhinhos ainda cerrados.
Era uma incubadora.
“A incubadora é um equipamento eletromédico cuja finalidade é manter a vida de bebês prematuros ou pós maturos. Proporciona ao neonato um ambiente termicamente neutro – através do controle da temperatura e da umidade relativa do ar em níveis aceitáveis.
O clima criado no interior acarreta um rápido desenvolvimento do bebê com menor risco de contrair doenças. O uso das incubadoras nos berçários permite ao recém nascido de alto risco proteção térmica, isolamento e uma completa observação visual propiciando-lhe condições de termorregulação e atendimento às suas necessidades de calor.”
Chique, não é mesmo! Mas mecônio não é chique não, e provavelmente eu aspirei o meu...
Bem, com ou sem mecônio nos pulmões, lá fiquei, cheia de esparadrapo, dias e dias, doida pra voltar ao meu mundinho barriga, ou pelo menos para meu novo mundinho mamãe.
Realmente é de uma solidão extrema esta espera pelo ser amado, por aquela que te alimenta e te dá vida. Uma relação materna assim tão distante deve pirar a cuca de um bebê.
Eureca! Taí a origem de toda minha paranóia. Minha melhor amiga também ficou na incubadora, não é extraordinário! Temos uma ligação fetal, que nos une diante desta experiência trauma. Por isso ela é tão insegura, e eu tão carente.
Nascer é uma aventura! Depois disso tudo, podem me mandar pra qualquer outro mundo que eu encaro com a maior experiência!
Eu sei que vou nascer de novo, e sei que não vou poder escolher como, onde, nem quando. Na hora da morte, estarei aqui no meu mundinho vida, esperando outra incubadora neomortal. Talvez eu me enrole no meu belo colar de sementes, mas quem sabe tudo seja diferente.
Afinal, a esperança é sempre a última que morre, e assim parto, como quem nasceu de parto.
Kátia Quirino
Crônicas Poéticas e Hipotéticas
Cuspido, empurrado, puxado, morto. Nascer é natural, mas é um ato estranho. Eu não me lembro do meu nascimento, mas deve ter me dado um medo danado... você lá, todo protegidinho dentro do seu mundinho barriga escurinho, e, de repente, você cai na mão de um ser gigante com uma máscara na cara, que te pega pelas pernas e te dá umas palmadinhas. Então você começa a ver luzes, ouvir vozes altas, sentir frio. Cortam-te pelo umbigo, te levam para longe daquela barriga e... acabou aquele mundinho tranqüilo.
Nascer é um parto...
Eu queria ter nascido de parto natural. Quem não quer sair do mundinho barriga escorregando! Nada mais divertido! Mando a contração, estouro a bolsa de placenta, e lá vou eu!
Mas, segundo relatos maternos, eu nasci de cesárea, praticamente enforcada pelo próprio cordão umbilical. Para piorar a situação, morei no mundinho barriga uma semana a mais, e a Doutora lá da Maternidade Santa Tereza me arrancou as pressas. Ela disse que eu era um bebê pós maturo, ainda bem que meu pai me deu outro nome.
Nasci enrolada no meu belo colar umbilical, mas tamanha vaidade me valeu uma cara toda roxa, inchada e deformada, a pele seca e descamada.
Minha tia até falou, sem muita convicção:
_ Que neném lindo!
Minha mãe foi bem sincera:
_ Será que a minha filha vai ser feia desse jeito, coitadinha...
Naquela época ainda não existia câmera digital, então não foram feitos registros fotográficos dessa minha desgraça primeira. Viva os anos 70!
Minha segunda desgraça foi no mesmo dia, ainda bem que não me lembro desse 5 de agosto, ô diazinho... Depois deste susto, me tiraram dos seios maternos direto para uma caixa aterrorizante. Toda transparente, fechada, quentinha, com uma luz chata nos meus olhinhos ainda cerrados.
Era uma incubadora.
“A incubadora é um equipamento eletromédico cuja finalidade é manter a vida de bebês prematuros ou pós maturos. Proporciona ao neonato um ambiente termicamente neutro – através do controle da temperatura e da umidade relativa do ar em níveis aceitáveis.
O clima criado no interior acarreta um rápido desenvolvimento do bebê com menor risco de contrair doenças. O uso das incubadoras nos berçários permite ao recém nascido de alto risco proteção térmica, isolamento e uma completa observação visual propiciando-lhe condições de termorregulação e atendimento às suas necessidades de calor.”
Chique, não é mesmo! Mas mecônio não é chique não, e provavelmente eu aspirei o meu...
Bem, com ou sem mecônio nos pulmões, lá fiquei, cheia de esparadrapo, dias e dias, doida pra voltar ao meu mundinho barriga, ou pelo menos para meu novo mundinho mamãe.
Realmente é de uma solidão extrema esta espera pelo ser amado, por aquela que te alimenta e te dá vida. Uma relação materna assim tão distante deve pirar a cuca de um bebê.
Eureca! Taí a origem de toda minha paranóia. Minha melhor amiga também ficou na incubadora, não é extraordinário! Temos uma ligação fetal, que nos une diante desta experiência trauma. Por isso ela é tão insegura, e eu tão carente.
Nascer é uma aventura! Depois disso tudo, podem me mandar pra qualquer outro mundo que eu encaro com a maior experiência!
Eu sei que vou nascer de novo, e sei que não vou poder escolher como, onde, nem quando. Na hora da morte, estarei aqui no meu mundinho vida, esperando outra incubadora neomortal. Talvez eu me enrole no meu belo colar de sementes, mas quem sabe tudo seja diferente.
Afinal, a esperança é sempre a última que morre, e assim parto, como quem nasceu de parto.
Kátia Quirino
Crônicas Poéticas e Hipotéticas
quarta-feira, 7 de abril de 2010
AMEI
Eu amei...
como amei
agora não sei
Eu amei
agora eu sei
como eu errei
Eu amei
me entreguei
como só eu sei
como amei
agora não sei
Eu amei
agora eu sei
como eu errei
Eu amei
me entreguei
como só eu sei
segunda-feira, 5 de abril de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
Água Viva
É única a experiencia de ler Clarice Lispector, em especial seu livro "Água Viva". O livro, um "romance sem romance", onde a protagonista da história busca obssessivamente entender a solidão e o significado de sua existência, tem uma profundade de sentimentos que queimam como água viva. O mundo interior e exterior se confundem a tal ponto que ela cria um "mundo entre mundos", um lugar encantando e em constante mudança e contradição. O livro é poesia em prosa.
É incrível como Clarice consegue entrar no íntimo feminino e revelar este universo tão pessoal e tão universal. Senti-me contemplada e ao mesmo tempo incompleta, como se aquelas palavras também estivessem saindo de dentro de mim.
Resultado desta interação tão íntima foi o vídeo "Para te escrever eu antes me perfumo toda", ainda em construção. Ao surgir a idéia, logo pensei nas pessoas que poderiam fazer este trabalho, e convidei Laurens (videomaker) e Fátima Porto. Como se fosse induzida, escrevi o roteiro e selecionei os fragmentos do livro que servem de leitura para as cenas. Juntei uma parte aqui, outra ali, agrupei em temas e tudo isso resultou em cinco cenas que desenrolam-se consecutivamente no vídeo, que deve durar de cinco a sete minutos. A música foi escolhida entre tantas da obra de Chopin, mas caiu perfeitamente no clima intimista e lírico do vídeo. Tudo perfeito!
Confesso que nunca tinha feito isto antes na vida. E confesso que tive muita ansiedade e muita auto crítica, sentimentos que atrapalham o processo criativo, pois comecei a achar tudo ridículo e constrangedor. Por isso Fátima Porto... ela foi minha guia neste difícil processo de auto conhecimento e externalização de sentimentos e emoções que um ator necessariamente precisa saber fazer. "Não sou atriz, sou assistente social" (eu pensava), "o que os outros vão achar?", "eu sou um patinho feio querendo aparecer", enfim... A fase da censura, de viver o lado perverso da cultura de massa.
Mas Fátima e Laurens estavam ali, e com este apoio consegui chegar ao final da gravação. Achei por um instante que durou uma eternidade que não chegaria. Eu sabia que poderia ter feito tudo aquilo, e poderia ter feito até melhor, mas fiz o até melhor. E quando terminei estava toda suja de tinta como um bichinho louco e achei aquilo maravilhoso, poder sair do lugar comum e fazer coisas que não faria normalmente, como flertar com uma árvore e me jogar nas folhas secas.
Escrevo tudo isso para falar sobre coisas nada simples que Clarice fala no livro. Acredito que esta tenha sido a leitura mais viva que já fiz até hoje. Ler ser viver a palavra. Laissez passer. "A palavra é minha quarta dimensão", escreveu Clarice Lispector.
O que posso deixar de bom para quem me leu até aqui é a confirmação de que a vida é um mistério, mas nós podemos explorá-la em suas sem número possibilidades. Podemos ser outras vidas e outros tempos, podemos ser felizes ou tristes, podemos ser rasos ou profundos. Mas para poder escolher, precisamos de uma única coisa: auto conhecimento.
"Olha pra ti e te ama" (Clarice Lispector)
Obrigado Deus por mais uma prova da Sua existência!
É incrível como Clarice consegue entrar no íntimo feminino e revelar este universo tão pessoal e tão universal. Senti-me contemplada e ao mesmo tempo incompleta, como se aquelas palavras também estivessem saindo de dentro de mim.
Resultado desta interação tão íntima foi o vídeo "Para te escrever eu antes me perfumo toda", ainda em construção. Ao surgir a idéia, logo pensei nas pessoas que poderiam fazer este trabalho, e convidei Laurens (videomaker) e Fátima Porto. Como se fosse induzida, escrevi o roteiro e selecionei os fragmentos do livro que servem de leitura para as cenas. Juntei uma parte aqui, outra ali, agrupei em temas e tudo isso resultou em cinco cenas que desenrolam-se consecutivamente no vídeo, que deve durar de cinco a sete minutos. A música foi escolhida entre tantas da obra de Chopin, mas caiu perfeitamente no clima intimista e lírico do vídeo. Tudo perfeito!
Confesso que nunca tinha feito isto antes na vida. E confesso que tive muita ansiedade e muita auto crítica, sentimentos que atrapalham o processo criativo, pois comecei a achar tudo ridículo e constrangedor. Por isso Fátima Porto... ela foi minha guia neste difícil processo de auto conhecimento e externalização de sentimentos e emoções que um ator necessariamente precisa saber fazer. "Não sou atriz, sou assistente social" (eu pensava), "o que os outros vão achar?", "eu sou um patinho feio querendo aparecer", enfim... A fase da censura, de viver o lado perverso da cultura de massa.
Mas Fátima e Laurens estavam ali, e com este apoio consegui chegar ao final da gravação. Achei por um instante que durou uma eternidade que não chegaria. Eu sabia que poderia ter feito tudo aquilo, e poderia ter feito até melhor, mas fiz o até melhor. E quando terminei estava toda suja de tinta como um bichinho louco e achei aquilo maravilhoso, poder sair do lugar comum e fazer coisas que não faria normalmente, como flertar com uma árvore e me jogar nas folhas secas.
Escrevo tudo isso para falar sobre coisas nada simples que Clarice fala no livro. Acredito que esta tenha sido a leitura mais viva que já fiz até hoje. Ler ser viver a palavra. Laissez passer. "A palavra é minha quarta dimensão", escreveu Clarice Lispector.
O que posso deixar de bom para quem me leu até aqui é a confirmação de que a vida é um mistério, mas nós podemos explorá-la em suas sem número possibilidades. Podemos ser outras vidas e outros tempos, podemos ser felizes ou tristes, podemos ser rasos ou profundos. Mas para poder escolher, precisamos de uma única coisa: auto conhecimento.
"Olha pra ti e te ama" (Clarice Lispector)
Obrigado Deus por mais uma prova da Sua existência!
quarta-feira, 17 de março de 2010
Sarau Clarice Lispector
No dia 31 de março de 2010, a partir das 19h, no Plénário da Câmara Municipal de Resende, será realizada a apresentação do Sarau Clarice Lispector, uma das diversas atividades culturais promovidas pelo Projeto Câmara Cultural em comemoração ao mês da mulher. O evento é gratuito.
O Sarau conta com a presença das atrizes Dayse Marques, Fátima Porto, Jenifer Faulstich, Kátia Quirino, Paula Mirela, e ainda com a jornalista Célia Borges, que realizou uma bela pesquisa sobre Clarice e vai contar um pouco desta história.
O grupo não vai apenas recitar poesias. Clarice foi uma escritora versátil e na seleção dos textos buscamos mostrar sua obra em verso, prosa e contos. Difíceis escolhas, mas o expectador vai se deliciar com as histórias e com a intensidade e profundidade dos seus escritos. Não posso deixar de citar sua capacidade cômica expressa em diversos contos que falam sobre galinhas, baratas e rosas, sem deixar de ser revelador das diversas facetas da humanidade.
A novidade deste sarau é um vídeo com a participação de uma das atrizes, Kátia Quirino, feito em conjunto com o videomaker Laurens (Oka Timburibá) e da artista Fátima Porto (Porto das Artes). O vídeo, intitulado "Para te escrever eu antes me perfumo toda" é uma interpretação de fragmentos do livro Água Viva, de Clarice Lispector.
O evento conta com os seguintes realizadores: Porto das Artes, ONG Cultural Oito Deitado, Oka Timburibá e Câmara Cultural.
Boa oportunidade para divertir-se e aprender. Convide um(a) amigo(a) e compareça.
Kátia Quirino. Em 19 de março de 2010.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Ideias Engarrafadas
A expressão ideia engarrafada expressa o impedimento da saída, a obstrução, ou o bloqueio das ideias mais originais, cercadas não só pela mente aprisionada e/ou reduzida a visões unicistas, mas por uma sociedade de consumo sempre presa em padrões prestabelecidos de pensamento, conduta, moda, comportamento. Afinal, quais são os bons costumes defendidos pela sociedade contemporânea? Que patamar é esse de moralidade que reproduz socialmente o menino marginal e depois o condena e o mata?
Existem mais coisas entre o que podemos ver e o que de fato existe neste mundo...
Colocando minhas ideias nas garrafas, consegui expressar minha indignação diante da castração do que posso chamar de ser original, além de expor meus desejos, sem contudo deixá-los no patamar do senso comum. O resultado estético é interessante pois trabalho com cores, texturas, poesias, imagens, materiais diversos, mas com um mesmo padrão. A estética reproduz a concepção da obra, o original versus a sociedade de consumo.
Pode ser arte fácil. Que me desculpem os artisitas contemporâneos e sua linguagem ao alcance dos E.T.s, eu quero ser entendida e não me importo em colocar minhas fragilidades a mostra.
Esta é apenas uma sequência, pois o conjunto das ideias é bem mais engarrafado que o trânsito da minha amada cidade!!!!
Kátia Quirino
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Embate Violento

O que posso dizer deste
meu corpo estendido na cama
O pernicioso desejo da carne
suplanta toda a razão
Minha pele antes opaca
de um branco cinzento
Agora ruborizada
pelo calor do sexo
A pele vermelha, os lábios inchados
expiram o suor das acrobacias
quase involuntárias
O corpo jogado na cama
mais parece jogado ao lixo
das vulgaridades ditas
Meu desejo agora é perigoso
como um verme devorando a carne
até chegar aos ossos
Como uma esquizofrenia
e seus delírios paralelos
Os julgos são em vão
As palavras são comidas
pela fome dos meus tatos
que passeiam vagarosamente
pelas ancas abertas e exaustas
Um torpor paralisante
me embala numa dança vil
E eu nesta loucura interina
procuro uma nobre explicação
para o tesão que sinto por você.
Rapidinhas
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Poesia Concreta
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
FALA BAIXO SENÃO EU GRITO
Viver é buscar a Liberdade a cada instante. Estar livre deveria ser o primeiro mandamento da vida. Tudo o que faço é da melhor maneira possível. Isso quando faço o que gosto. E gosto da liberdade de poder fazer o melhor. Gosto de escrever. Gosto de pintar. Gosto de trabalhar. Gosto de teatro. Gosto de pessoas. Gosto de gostar.
Liberdade é poder transformar. Transformar é criar o novo, ultrapassar barreiras, quebrar tabus e questionar verdades. Liberdade é transformar idéias em fatos. Fazer acontecer.
Liberdade para abrir caminhos. Construir pontes no lugar de muros. Dar flores ao invés de murros. Liberdade para acordar o corpo. Entornar o copo. Encarar o medo. A vontade é o que determina os acontecimentos. Eu posso. Posso emprestar o meu sono para a pedra que ronca. Dar a minha voz para a música que ouço. Posso arriscar. Posso liberar. Posso usar. Posso lançar.
Liberdade é movimento, respiração. É saber dizer não. É querer dizer sim. É botar a boca no mundo e morder o seu pedaço, do tamanho da sua fome. Do tamanho do seu vôo...
Nem vem que não tem. Sou dissidente. Não me julgo com os olhos de opressões políticas, estéticas, sociais ou artísticas. O mundo é cheio de idéias e não preciso escolher apenas uma.
domingo, 13 de setembro de 2009
ATRÁS DO ESPELHO
Estou cativa de um novo ser
Cativa de manhãs serenas
e de um longo anoitecer
no colo da lua
É como se estivesse nua
Totalmente pelada no meio da rua
Confortável e sozinha
Invisível, intocável, pura
Estou cativa de um novo corpo
Não quero mais me parecer
Sou outra, afinal
Não mais àquela velha
Vejo-me escondida atrás do espelho
Inverso reverso côncavo e convecsso
Em estado de florescer primaveril
Desabrochando para a vida
Tardiamente e sabiamente
Pois nunca é tarde demais
Pra pra ser outra que não eu mesma
Em nova face que é a mesma daquela velha
Tarde não. É manhã serena
Tenho um dia inteiro pra ser flor
E um anoitecer eterno...
... Pra ser amor.
Kátia Quirino
Cativa de manhãs serenas
e de um longo anoitecer
no colo da lua
É como se estivesse nua
Totalmente pelada no meio da rua
Confortável e sozinha
Invisível, intocável, pura
Estou cativa de um novo corpo
Não quero mais me parecer
Sou outra, afinal
Não mais àquela velha
Vejo-me escondida atrás do espelho
Inverso reverso côncavo e convecsso
Em estado de florescer primaveril
Desabrochando para a vida
Tardiamente e sabiamente
Pois nunca é tarde demais
Pra pra ser outra que não eu mesma
Em nova face que é a mesma daquela velha
Tarde não. É manhã serena
Tenho um dia inteiro pra ser flor
E um anoitecer eterno...
... Pra ser amor.
Kátia Quirino
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
BIOGRAFIA

Ela tem um frescor de manhã
que cheira tangerina
Tem um calor, mas um calor...
que corre pelo ventre
E uma alma serena
Muitos sorrisos simpáticos
Ela tem um passo, um ritmo
Umas pernas...
Ela tem sonhos e quer voar
ela tem cabelos ao vento
Um jeito lento
Um balanço nas ancas
Ela tem um olhar grande
Um cheiro de pessoa
Certa mania de querer dar-se
Ela tem amor pela vida
Sua pele - clara
Sua carne - dura
Sua boca - poesia pura
Suas mãos - pintura
Ela gosta de cores
Ela é mulher bicho
À flor dos cinco sentidos
À luz do sol ou de velas
Ela muda com a lua
Tem a alma nua e crua
Kátia Quirino
que cheira tangerina
Tem um calor, mas um calor...
que corre pelo ventre
E uma alma serena
Muitos sorrisos simpáticos
Ela tem um passo, um ritmo
Umas pernas...
Ela tem sonhos e quer voar
ela tem cabelos ao vento
Um jeito lento
Um balanço nas ancas
Ela tem um olhar grande
Um cheiro de pessoa
Certa mania de querer dar-se
Ela tem amor pela vida
Sua pele - clara
Sua carne - dura
Sua boca - poesia pura
Suas mãos - pintura
Ela gosta de cores
Ela é mulher bicho
À flor dos cinco sentidos
À luz do sol ou de velas
Ela muda com a lua
Tem a alma nua e crua
Kátia Quirino
QUERO ASSIM
Quero uma alma sim
(Pois há quem diga não tê-la)
Aspirina efervescente
Sensação de algodão doce na boca
Calor e aconchego de lareira acesa
Quero um amor sim e assim
Grandioso Desfiladeiro
Para que eu possa dele saltar
Com emoção de primeiro vôo
E o gosto da liberdade
Quero a vida assim, sim
Nascimento de Vênus, de Botticelli
Com inocente alegria de criança
E a sabedoria da velhice
Kátia Quirino
(Pois há quem diga não tê-la)
Aspirina efervescente
Sensação de algodão doce na boca
Calor e aconchego de lareira acesa
Quero um amor sim e assim
Grandioso Desfiladeiro
Para que eu possa dele saltar
Com emoção de primeiro vôo
E o gosto da liberdade
Quero a vida assim, sim
Nascimento de Vênus, de Botticelli
Com inocente alegria de criança
E a sabedoria da velhice
Kátia Quirino
VENHA COMIGO
Meus olhos têm a claridade da espuma marinha
Têm a transparência de quem diz tudo e nada
Meu espaço se estende sem amparo e com ternura
Ele é infinito como o universo
Ouço um cântico de lamento e celebração
Um canto maldito de uma boca censurada
Meu silêncio é transgressor
E o grito é de vitória e gozo!
Meu ser é recôndito, tanto que sou parte do inverno
Contudo sinto um frio que queima por dentro
Apenas o sol me mantém cálida
Tanto que sou outra parte do verão
A solidão é um delírio moderno?
(Ela tem o som de ondas batendo nas rochas...)
Quantos são os segredos da alma?
Quão grandes são os desafios da vida...
Perdão por essa sucessão de luz e silêncio estridente
Por esta solidão insana, pelo canto submerso em lama
Perdoe-me pela palavra muda, pelo frio sombrio
Essa mudança brusca do tempo
É engano tentar entender o que é este movimento
Dentro e através da escuridão
Apenas vejo uma luz dourada e sinto calma
Não sei, e mesmo assim vou
Viajei muito pra chegar até aqui e parar
Kátia Quirino
Têm a transparência de quem diz tudo e nada
Meu espaço se estende sem amparo e com ternura
Ele é infinito como o universo
Ouço um cântico de lamento e celebração
Um canto maldito de uma boca censurada
Meu silêncio é transgressor
E o grito é de vitória e gozo!
Meu ser é recôndito, tanto que sou parte do inverno
Contudo sinto um frio que queima por dentro
Apenas o sol me mantém cálida
Tanto que sou outra parte do verão
A solidão é um delírio moderno?
(Ela tem o som de ondas batendo nas rochas...)
Quantos são os segredos da alma?
Quão grandes são os desafios da vida...
Perdão por essa sucessão de luz e silêncio estridente
Por esta solidão insana, pelo canto submerso em lama
Perdoe-me pela palavra muda, pelo frio sombrio
Essa mudança brusca do tempo
É engano tentar entender o que é este movimento
Dentro e através da escuridão
Apenas vejo uma luz dourada e sinto calma
Não sei, e mesmo assim vou
Viajei muito pra chegar até aqui e parar
Kátia Quirino
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
CECÍLIA MEIRELES

SERENATA
"... Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora, e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silêncio, e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo ... "

OU ISTO OU AQUILO
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
MEU CORPO É O SEU POEMA
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
EU RIO

Rio é a conjugação do verbo rir na primeira pessoa do presente. Com a alma encharcada dessas águas é impossível deixar de rir. Suas águas transparentes escondem mistérios que os artistas revelam com suas ilustrações e pinturas quando fazem o encontro com a natureza. Imenso deslumbramento que meus olhos flagram. Ora as águas me banham e enrugam de tanto deleite, ora limpam a mente, as dores e o corpo, revelando a beleza nua de sua amante. Somente após chorar rios de lágrimas consigo rir dos meus desvios. Como um afluente, quero encontrar meu rio. Como um rio, quero fluir calmamente e incessantemente pelo meu caminho. Essa é a minha natureza. E a do rio.
Peço licença ao meu amigo Mallorca para publicar aqui neste blog a aquarela do Rio Paraíba de sua autoria, que me inspirou nestas palavras.
ACREDITO SE QUISER
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
ÂNGULOS DE SABÓIA
Toda mulher comum tem seus defeitos e suas qualidades. Tive a oportunidade de ser filmada pelas lentes do querido João Sabóia em um desfile de Bloco Carnavalesco em 2008. Estava alguns quilos mais gorda, mas mesmo assim o vídeo é campeão de vizualizações do RESENDE TV. O figurino parecia um papagaio deslumbrado de tão verde e plumado, mas quis encarnar a Mata Atlântica... (pode rir...).
Hoje revendo o vídeo e lendo os comentários, a maioria deles de péssimo gosto, me senti um pouco sem jeito, me chamam de Raimunda, pedem pra esconder a cara, e, claro, elogiam as pernas e a bunda.
O vídeo não tem nehuma conotação erótica, mas o ângulo utilizado por Sabóia explora muito meus pés e as pernas de cima pra baixo, tanto que ele o nomeou de SAMBA NO PÉ. Fiquei muito feliz com a repercussão dele, pois foi expontâneo, artístico, sem ensaios e retoques. Mas não posso deixar de responder aos comentários dos meninos que ficam procurando por Priscilas e Julianas. Na realidade vou primeiro perguntar: Vocês são Gianecchinis ou Zulus??? Pelo menos lembram o Brad Pitt, ou o Cauã Reymond? Posso responder: tenho certeza que não, mas mesmo assim vou pensar se dou uma chance a vocês.... Se vocês forem pelo menos inteligentes...
Minha beleza mora livre em mim, por meus traços imperfeitos e pelos movimentos do meu corpo. Fica o meu apelo a todos: deixemos de ser superficiais, de ter pensamentos e modelos padronizados. Você conseguiu enxergar meus olhos? Desenhou minha boca com a ponta dos seus dedos? Percebeu minha covinha na bochecha direita? Acredito que não. Perdeu. Mas a bunda que apareceu por menos de dois segundos todo mundo viu....
Valeu Sabóia!!! No próximo vídeo vou caprichar mais no decote dos seios e fazer carinha de sexy symboll, vamos arrematar o recorde do youtube!
Tyler Stuart diz tudo em poucas palavras: "O órgão sexual mais importante é o ouvido"
Aos curiosos: http://www.youtube.com/watch?v=684fq17g0wM
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Pra onde vai o meu amor quando o amor acaba?

Almanaque
Chico Buarque
Ô menina vai ver nesse almanaque como é que isso tudo começou
Diz quem é que marcava o tique-taque e a ampulheta do tempo disparou
Se mamava de sabe lá que teta o primeiro bezerro que berrou
Me responde, por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba?
Quem penava no sol a vida inteira, como é que a moleira não rachou
Quem tapava esse sol com a peneira e quem foi que a peneira esfuracou
Quem pintou a bandeira brasileira que tinha tanto lápis de cor
Me responde por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba?
Diz quem foi que fez o primeiro teto que o projeto não desmoronou
Quem foi esse pedreiro, esse arquiteto, e o valente primeiro morador
Diz quem foi que inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor
Me responde por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba?
Quem é que sabe o signo do capeta, o ascendente de Deus Nosso Senhor
Quem não fez a patente da espoleta explodir na gaveta do inventor
Quem tava no volante do planeta que o meu continente capotou
Me responde por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba?
Vê se tem no almanaque, essa menina, como é que termina um grande amor
Se adianta tomar uma aspirina ou se bate na quina aquela dor
Se é chover o ano inteiro chuva fina ou se é como cair o elevador
Me responde por favor
Pra que tudo começou
Quando tudo acaba
________________________
Agora é minha vez. Pergunta difícil Chico, meu camarada...
Existe um lugar Chico?
Tem endereço?
É um túmulo onde o amor tem direito a um jazido?
"Aqui jaz o amor de Chico e Marieta"
Não, não é esse lugar
Não é uma morte
É como um estranhamento
Um espelho que se parte
Uma pedra no rim
É um lugar exílio
É a alma fora do corpo
Meu amor eu mando
Pra onde quiser
Que não seja longe de mim
Pode ser dentro da gaveta de calcinhas
Em um cd de backup do meu computador
Pode ser dentro do congelador
Também te pergundo Chico
Onde foi parar o amor da Marieta?
Foi para a puta que o pariu
Seria muito Severo, Chico?
O amor foi parar num lugar
Sem fim nem recomeço
Foi pra dentro de mim.
Kátia Quirino
A CAIXA DE PANDORA

Por que uma caixa contendo todos os males da humanidade conteria também a Esperança?
A propaganda da TV FUTURA nos leva a refletir que o que move o mundo não são as respostas, e sim as perguntas. Concordo, pois a dúvida é o combustível que nos leva ao conhecimento.
Inicio assim este blog, de curiosa e questionadora que sou.
Gosto de estar a frente do tempo, como Lulu no filme a Caixa de Pandora (1929), que quebrou tabus com sua personalidade irriquieta, sexualmente afirmativa e original. Vamos abrir a caixa...
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