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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

SOMOS

CADA SENTIDO DO MEU CORPO


EMANA SUA PRESENÇA VIVA

OS POROS RESPIRAM FUNDO

O MESMO AR QUE PULSA

EM SEU PEITO



SE SOMOS DOIS?

_SOMOS MÚLTIPLOS.



E CADA FACE

QUE CONHEÇO SUA

ME REVELA O QUANTO

PODEMOS SER CADA VEZ



MAIS

           NÓS MESMOS

                                      MAIS

                                                   DO QUE JÁ SOMOS

domingo, 18 de setembro de 2011

EM BUSCA DE UM TEMA, UM MOTIVO, UM ASSUNTO PARA CRIAR UM ESPETÁCULO

Cia. da Ação! "Na Encruza". Foto: Fátima Porto

Por Calé Miranda


Nosso experimento começou sem pretensão. Éramos 7, na verdade um grupo de 7 performers + um diretor, todos interessados em explorar minhas idéias- até então particulares- sobre as possibilidades de fazer dialogar mitologia afro-brasileira e butoh japonês. Quase sem querer criamos a performance “Orum-Ayê-Orum”, que temos o prazer de seguir apresentando em diferentes lugares. Estes quatro primeiros meses serviram como introdutórios de uma disciplina até então desconhecida pela maioria do grupo. Hoje o grupo conta com onze performers e continuam os pedidos de gente interessada em experimentar o afro-butoh conosco. Quase sempre aceitamos este pedido uma vez que o trabalho é tão pessoal e intenso e o grupo é tão absorvente que o candidato ou desiste na segunda aula ou considera-se no grupo “desde criancinha”.

Partimos agora para uma nova fase: vamos realizar quatro workshops temáticos a fim de descobrir um possível assunto para pesquisa de espetáculo. Pretendemos a cada quatro semanas nos aprofundar num assunto determinado, estudando o tema em nossos corpos e na teoria, recebendo palestrantes e oficineiros, enfim, experimentando ao máximo o embrião de um possível espetáculo afro-butoh.

O primeiro workshop será: “Povo da Rua”. Estudaremos os Exus e seus significados, o caminho, a mensagem, a palavra, a esperteza. Exploraremos o universo de Pombagiras, Malandros, Zés, Ciganas; suas relações com a festa, o prazer, a musica, a ginga. Numa lembrança rápida temos a imagem de samurais e gueixas, sem-teto japoneses, sobreviventes da bomba. Cachaça e saquê, que tipo de drink isto vai dar¿ Não sabemos, mas estamos ávidos para experimentar.

"A VIDA É SONHO" De Cálderon de La Barca


"Ai de mim, ai, pobre de mim!
Aqui estou, ó Deus, para entender que crime cometi contra Vós.
Mas, se nasci, eu já entendo o crime que cometi.
Aí está motivo suficiente para Vossa justiça, Vosso rigor, porque o crime maior do homem é ter nascido.
Para apurar meus cuidados, só queria saber que outros crimes cometi contra Vós além do crime de nascer. Não nasceram outros também?
Pois, se os outros nasceram, que privilégios tiveram que eu jamais gozei?
Nasce uma ave e, embelezada por seus ricos enfeites, não passa de flor de plumas, ramalhete alado quando veloz cortando salões aéreos, recusa piedade ao ninho que abandona em paz.
E eu, tendo mais instinto, tenho menos liberdade?
Nasce uma fera e, com a pele respingada de belas manchas, que lembram estrelas.
Logo, atrevida e feroz, a necessidade humana lhe ensina a crueldade, monstro de seu labirinto.
E eu, tendo mais alma, tenho menos liberdade?
Nasce um peixe, aborto de ovas e Iodo e, feito um barco de escamas sobre as ondas, ele gira, gira por toda parte, exibindo a imensa habilidade que lhe dá um coração frio.
E eu, tendo mais escolha, tenho menos liberdade?
Nasce um riacho, serpente prateada, que dentre flores surge de repente e de repente, entre flores se esconde onde músico celebra a piedade das flores que lhe dão um campo aberto à sua fuga.
E eu, tendo mais vida, tenho menos liberdade?
Assim, assim chegando a esta paixão, um vulcão qual o Etna quisera arrancar do peito, pedaços do coração.
Que lei, justiça ou razão pôde recusar aos homens privilégio tão suave, exceção tão única que Deus deu a um cristal, a um peixe, a uma fera e a uma ave?"

sábado, 17 de setembro de 2011

O desejo aceso

O desejo aceso

Chama que queima a razão
É fogueira que se faz diária
Brasa que aquece o tesão

Fogueira de São João
Por: Kátia Quirino e Márcio Whately

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Está fazendo um ano


Está fazendo um ano meu amor, que nós estamos juntos! Parece que nunca estive longe de você... Certas coisas na vida não possuem explicação, nem sentido, nem probabilidades. Nunca imaginei antes que você seria o grande amor da minha vida. Sempre vi você pelas ruas, andando sozinho, muito na sua. Sempre ouvi falar de você, e nunca senti nada, nenhuma atração, nenhum sentido, nenhum desejo.

A culpa foi do Noel Rosa. Aquele sarau que nasceu da nossa primeira conversa e que povoou nossas mentes com a história de amor de Noel e Ceci. Eu te olhei com outro jeito, com minha curiosidade de mulher, com os olhos já com fome... Então vieram as coincidências, os encontros no teatro, as festinhas na OKA Timburibá. Até uma bela noite de junho, lua nova, eu exausta de uma apresentação de dança do ventre e de outra performance artística  "A saída de LILITH do Éden". Você ali o tempo todo, rondando, pesquisando, sentindo. Depois daquele beijo, em que saímos e nunca mais voltamos, minha vida tomou novo rumo.

Faz um ano apenas que você chegou lá em casa às 7:30h da manhã de sábado, ficou em pé no colchão da cama, segurou minhas mãos, olhou nos meus olhos e perguntou: "quer namorar comigo?" Era tudo que eu queria, não precisava nem perguntar! Foi tão mágico, que ainda me belisco com medo de estar sonhando.

Eu te amo, Márcio Whately, um amor que nunca antes vivi ou senti.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Morri daqui a uma semana

Escrevo para dizer
que morri daqui a uma semana

Foi de morte natural
misto de descanso e sossego
tive que pedir arrego


Morte de vício e tédio
desses que não dá mais
para conviver

Morte de saudade
irremediável

Morte do que fui
para nascer quem sou
e morrer sem parar

Nada de velório
me deixa ir
arranja outro amor
faça aquela viagem

Mas cuidado!

Tem muito equívoco
na liberdade
e muita  insanidade
no que parece são

Não navegue numa
canoa quebrada








terça-feira, 26 de julho de 2011

Tchau Amy...


Minha diva, Amy Winehouse.

Festa das águas!


Balada de Ogum e Yemanjá!
Performance: Orixás Urbanos
Cia. da Ação!
Ponte Velha - Resende/RJ

Da água que vira árvore...


Foto: Marco Netto

Da pedra que vira fogo...


Foto: Márcio Whately

Do fogo que vira água...


Orum-Ayê-Orum - Cia. da Ação!
Performance Experimento Afro-Butoh
Festival de Teatro - 2011
Resende/RJ

Foto: Márcio Whately

Cuidado com suas escolhas

Meu corpo pede calma, não aguenta mais a correria desumana da cidade.

Já houve um tempo em que caminhava pelas ruas e observava as pessoas, a paisagem tão bela, as crianças voltando da escola para casa... Então comecei a buscar o que poderia ser mais promissor para minha vida, mais trabalho, mais dinheiro, um carro, uma casa, roupas novas. Afinal, é preciso ter uma certa segurança material que nos dê estabilidade. Já não sou mais aquela menina jovem que andava de mochila pelas estradas sem grana, sem ter onde ficar, apenas procurando diversão e novas paisagens.

Agora sou uma mulher. Tenho várias responsabilidades. Preciso tratar os dentes, pagar impostos, cumprir agendas e horários. Não tenho mais tempo para devaneios juvenis. A responsabilidade anda comigo e me tira toda chance de...viver...

Já não suporto mais esta pressão de trabalho-trabalho-casa-trabalho-trabalho. Onde foi parar minha inspiração? Onde deixei minhas aventuras? Onde estão as crianças, a paisagem, os passos, a rua?

Grande ilusão esta de que tendo as coisas somos melhores. Para ter, antes é preciso abrir mão de ser. Não que eu tenha me tornado uma pessoa sem conteúdo, sem essência, sem íntimo, sem alma. Não é isso. Mas fica sim, pra trás, uma certa inocência, a capacidade de improvisar o dia a dia, as descobertas das coisas mais simples, o ócio que permite criar, repensar, transcender, mudar.

Eu me orgulho de todas as minhas conquistas! me orgulho da pessoa que sou, essa criatura imperfeita e cheia de coisas. Porém, as maiores conquistas da minha vida não podem ser contabilizadas, às vezes nem podem ser vistas.

Foda-se o querido carro, grande merda de casa. Um monte de lata e de tijolos. Eu queria agora tirar toda minha roupa, tirar a maquiagem, o esmalte, a tinta do cabelo, ficar totalmente nua. Jogar essa merda toda no lixo e sair andando e cantando pelas ruas como uma louca extasiada pela vida! Andando, cantando, olhando as pessoas, nua, louca, a paisagem, ensandecida!

As escolhas são minhas, eu sei. Mas nem sempre podemos escolher aquilo que queremos pois temos que escolher aquilo que precisamos. É a lei da sobrevivência.

Meu corpo precisa de uma boa dose de loucura, pois já estou embriagada de sobriedade.

Meu corpo pede alma, pois não aguenta mais a sua própria materialidade.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Guerras e Paixões

Algo me incendeia
me queima as veias
me corre o corpo.
Algo me dilacera
me corta os pulsos
me alveja os sentidos.

Sinto desejo, sinto paixão,
sinto ternura, sinto tesão.

Sinto uma bomba no peito
sinto que estou enlouquecendo

Algo me bombardeia
me desfaz a razão
me ataca a sensatez
Algo me mata
me sai pela boca
me toca na alma

Sinto calor, sei que morri
e do meu corpo nada resta
senão a última sensação da vida.

Então renasci.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

AR

Precisamos respirar
Para a vida não expirar

M


Meu coração está lotado
Não cabe mais amor
Mas ele sempre cresce
Amor não tem tamanho
Amor cabe no mundo
Mas o mundo está lotado
Intolerância, violência
Onde não cabe todo o amor

Seguir


As unhas dos pés pintadas
querem imitar as cores
cores artificiais
Camuflagem de bicho
bicho humano pensador
pensa que ninguém vê
foge do predador

Os pés descalços caminham
procurando lugares
que quando encontram
saem para passear

Seguir é um passeio

A vida é cristal


A vida é cristal
Frágil frente a morte
Forte com seu poder

Poder de brilhar
Poder e querer viver

Cristal de vida
Pedra no caminho
Pedra jóia, gema

A vida é cristal
Lapidada pelas mãos
Bruta realidade

Meu tempo

Atrás de mim um passado
passo longe
Ao meu lado o presente
caminho a passos rápidos
Na minha frente um futuro
sempre mistério

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Seu sou sua

Sua boca cheia de palavras de amor
me enche de beijos furtivos
saliva seca na nuca


Seu cheiro forja meu cio
Te sigo pelo meu instinto
cadela perdida na noite

Seu jeito me faz perder o meu
me faz mulher e menina
bandida que rouba-lhe o nome

Descobertas

Descobri o amor em novas cores e sabores
Descobri que sou mais do que o que conhecia
Descobri que nada fica sem solução
Descobri que a vida não é fácil não

Descobri que rir faz muito bem
Descobri que fazer rir é o melhor remédio
Descobri que tenho pânico de médico

Descobri que os animais são seres superiores
Descobri que o ser humano perdeu a humanidade
Descobri que tudo pode melhorar
Descobri que um dia o sonho vai acabar

Descobri flores pelo meu caminho
Descobri o rosto e mostrei a cara
Descobri que o tapa vale mais que a máscara